sexta-feira, 17 de novembro de 2017
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Governo Temer ameaça cortar mais R$ 4 bilhões e cientistas vão às ruas no país

Rafael Duarte Fotos: Divulgação
11 de novembro de 2017 DEMOCRACIA
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O apetite insaciável do governo Temer em desmontar as estruturas e conquistas recentes do país tem provocado revolta e reações entre os cientistas e profissionais do setor. Neste sábado (11), pela terceira vez em 2017, profissionais e estudantes de diversas áreas científicas marcham em protesto aos cortes sucessivos no orçamento da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação que, desde o ano passado, passou a abrigar também as Comunicações. Somente este ano, o orçamento da pasta sofreu uma redução de 44% em relação a 2016. Para 2018, o corte estimado é de mais R$ 4 bilhões ou 18% a menos.

Rio de Janeiro, São Luís, Curitiba, Belo Horizonte e Natal têm manifestações programadas. Na capital potiguar, a marcha ocorre a partir das 17h, em frente ao Midway Mall. A Marcha pela Ciência é organizada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O objetivo é pressionar o Congresso a frear os cortes na ciência e tecnologia.

Em relação à investimentos com recursos do tesouro e de outras fontes, a estimativa para 2018 é ainda mais dramática. Se a Câmara dos Deputados aprovar sem alterações a Lei Orçamentária Anual para o exercício do próximo ano enviada pelo Palácio do Planalto no início de novembro, a pasta perderá mais R$ 4.132.679.841 em comparação ao orçamento de 2017, que também sofreu vários contingenciamentos ao longo do ano.

Enquanto o orçamento aprovado para 2017 foi de R$ 15,6 bilhões, a previsão é de que no próximo ano a área receba apenas R$ 11,3 bilhões, o que representa um corte de 18% na pasta, incluindo custeio, pagamento de pessoal e investimento. Considerando apenas os recursos investidos em bolsas e fomento à pesquisa, a queda é de 25%, com redução de R$ 5,9 bilhões para R$ 4,4 bilhões. Esse valor corresponde a menos da metade do orçamento de cinco anos atrás.

Em Natal, um dos nomes que encabeça o movimento é o diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Ice/UFRN), neurocientista Sidarta Ribeiro. Ele classifica o governo Temer como “inimigo da nação” em razão dos ataques à futuras gerações e ao desmonte da ciência.

 – Vínhamos numa trajetória de ascenso nos governos Lula e Dilma e agora vemos cortes brutais no orçamento com a interrupção de programas, o não pagamento de bolsas, contingenciamento de orçamento também nas universidades, não pagamento de professores, CNPQ e Capes submetidos ao mesmo regime… é uma situação muito grave porque não existe um país soberano sem ciência e muito menos um país grande com riquezas naturais, como o nosso. Estamos diante de um cavalo de pau. Um governo que faz o que o governo Temer está fazendo não é outra coisa senão um inimigo da nação. Desmontar a ciência é desmontar o futuro. Quem faz isso há de ter muita clareza do que está fazendo. Estamos perdendo gerações de pesquisadores a um preço muito alto, com esforço muito grande que, agora, ou estão deixando a ciência ou estão deixando o país.

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Sobre o Autor

Jornalista e autor da biografia “O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre”