segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
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Pedro Gorki é o estudante mais jovem a assumir presidência da UBES

Rafael Duarte Fotos: Vangli Figueiredo (UJS Piauí)
03 de dezembro de 2017 + Notícias, DEMOCRACIA
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Setenta anos depois, um estudante do Rio Grande do Norte volta a liderar o movimento secundarista do país. E com um detalhe: aos 16 anos de idade, Pedro Lucas Gorki é o mais jovem a assumir o principal posto da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). O primeiro potiguar, aliás, foi o pioneiro. O estudante do Atheneu Luís Bezerra de Oliveira assumiu a cadeira em 1948, na primeira gestão da entidade. A UBES é a maior entidade secundarista da América Latina.

Filho de um professor (João Oliveira) e uma advogada (Carla Tatiane) , ambos militantes e ligados ao PC do B, Gorki é estudante do Instituto Técnico Federal do Rio Grande do Norte e venceu por larga vantagem a disputa no Congresso da UBES, realizado sábado (2), em Goiânia.

A chapa “Secundas em luta, em defesa da educação e do Brasil” obteve 2.101 votos, de um total de 2.513 delegados, uma margem incontestável de 83,7%. A segunda colocada “Oposição UBES na rua” contabilizou 391 votos e a “Articulação de Esquerda”, apenas 21.

Gorki é presidente da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES) e terá que deixar o posto para assumir o desafio nacional. O novo presidente da UBES terá residência fixa em São Paulo e viajará pelo país mobilizando os secundaristas estimados hoje em mais de 40 milhões.

Por telefone de Goiânia, Gorki conversou com a agência Saiba Mais sobre os novos desafios. Ele elegeu o combate à lei da mordaça nas escolas, nome pelo qual vem sendo chamado o projeto Escola Sem Partido, e o resgate da democracia brasileira, como as principais bandeiras da UBES pelos próximos dois anos.

– A meta da gestão é a defesa da educação pública e isso acarreta várias coisas, como lutar contra a lei da mordaça, o projeto Escola se Partido, que na verdade quer amordaçar os secundaristas e os professores. Outro objetivo também ligado à educação pública é defender o ensino técnico, as escolas federais, além da luta pelo resgate à democracia brasileira. A UBES está vivendo agora o período do golpe e passando por um período de transição do estado democrático de direito. A defesa da escola pública passa pela defesa da democracia. Não tem como avançarmos na educação sem um país livre.

 Se ver aos 16 anos de idade como o presidente mais jovem da história da UBES não preocupa Pedro Gorki, que tem uma trajetória precoce ligada à política secundarista em grêmios e entidades estudantis e partidária, como membro da União da Juventude Socialista, braço do PC do B. O novo presidente da UBES foi uma das principais lideranças nas ocupações das escolas em 2016, movimento histórico que reagiu ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e aos primeiros cortes na Educação pelo governo Temer.

– Para um jovem de 16 anos assumir a direção de uma organização que tem 70 anos é uma responsabilidade enorme, mas o que me deixa tranquilo é saber que a UBES não é uma presidência nem uma diretoria. Assim como foi no ano passado, durante as ocupações nas escolas, a UBES é cada secundarista do Brasil que vê esperança num dia melhor, na juventude, na política como forma de transformação e que vê na escola uma forma de transformar a política. Então é isso que garante que um jovem de 16 anos como eu não fique desesperado em assumir uma entidade como a UBES. É por saber que outros jovens de 16, 17, 18 anos estarão comigo compondo uma luta política muito forte, por uma sociedade mais justa e por um Brasil mais igual.

 

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Sobre o Autor

Jornalista e autor da biografia “O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre”