quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018
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Ezequiel alega “direito de ir e vir” para justificar grades na entrada da Assembleia

Rafael Duarte Fotos: João Gilberto / Ascom Assembleia Legislativa
11 de Janeiro de 2018 DEMOCRACIA
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A Assembleia Legislativa amanheceu com grades de ferro cercando todo o prédio, sob a escolta de agentes da Polícia Militar. A ordem para a instalação da barreira que tentou impedir o acesso dos servidores à Casa Legislativa foi dada pelo presidente da Assembleia, deputado estadual pelo PSDB Ezequiel Ferreira de Souza.

A Agência Saiba Mais questionou o parlamentar sobre a decisão antidemocrática, já que em todas as votações é praxe a presença dos servidores nas galerias do plenário para acompanhar as discussões travadas pelos deputados.

 

A Assembleia Legislativa cercou a Casa impedindo a entrada de servidores nas dependências do prédio para acompanhar as votações, como geralmente acontece. O senhor não acha uma atitude antidemocrática ?

A Assembleia tem o direito de ter, como o cidadão, o direito de ir e vir. Nós fomos informados de que iria haver uma grande manifestação, inclusive com a proibição da entrada deputados, e isso aconteceu. Nós tivemos que esperar até quase 2 horas da tarde para ter o número de deputados suficientes apenas para entrar em votação uma convocação extraordinária.

 

Mas cercar a Casa do povo não é uma agressão ao servidor ?

Iria entrar uma comissão dos servidores, do Fórum Estadual de Servidores assim que tivéssemos o quórum dos deputados….

 

Mas se a votação interferiria diretamente na vida do servidor, então porquê limitar o acesso ?

Democraticamente, todas as vezes que os servidores nos procuraram foram bem recebidos. O direito de ir e vir é de todos, inclusive dos deputados que aqui trabalham.

 

Mas não foi impedido o direito de ir e vir dos servidores também ?

Foi impedida a entrada dos deputados.

 

As grades na frente da Assembleia impediram o acesso dos servidores.

Foi impedido, vou lhe repetir, acho que… iria entrar um número que seria acordado na Casa Legislativa para que pudéssemos ter as votações em tranquilidade. Os deputados tem o direito de se pronunciar e cada um tem sua posição. Nós temos deputados aqui de oposição, deputados de governo, de ideologias diferentes. Mas precisa ser respeitada a posição dos deputados também.

 

 

Deputados avaliam instalação de grades pela Assembleia

O deputado Disson Lisboa (PSD) defende a participação de todos os servidores nos debates, mas cobra respeito. Ele foi um dos parlamentares impedidos de entrar no prédio.

– Eu acho que a Casa, por ser do povo, tem que estar todo mundo participando. No entanto, também tem que se ter respeito. Alguns deputados foram impedidos de entrar. Eu mesmo fui impedido, outros ficaram em outro prédio para poder entrar. Democrático não é só o que você fala, colocar o servidor aqui. Antidemocrático é não deixar um deputado entrar na sua área de trabalho. Então, é importante que se deixe claro: é importante que o servidor participe, que assista a sessão, mas é importante também que o deputado entre no seu lugar de trabalho.

Já o deputado Fernando Mineiro (PT) considerou “equivocada” a decisão de instalar as grades. Para eles, as discussões na Casa precisam ser abertas e transparentes:

– Acho que foi ruim, expressei isso ao presidente Ezequiel. Eu e outros deputados também. O poder legislativo, independente da posição que ele venha tomar, tem que ser transparente, de forma aberta. As pessoas que avaliem e julguem cada um de nós depois. Acho que foi equivocado. O clima está muito tenso, levou a isso, mas espero que na próxima terça-feira haja uma outra postura por parte da Assembleia.

 

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Sobre o Autor

Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"