OPINIÃO

Campanha acirrada para o Governo pode gerar “esquecimento” quanto ao Legislativo

Com as movimentações dos principais candidatos ao Governo do Estado como o processo de escolha dos candidatos a vice e a caça por apoios de prefeitos e vereadores, a pré-campanha deverá começar a se acirrar e ganhar mais espaço da mídia. Consequentemente, também ganha mais espaço entre o eleitorado e o imaginário popular.
 
É aí que mora o perigo. Com os holofotes voltados para Fátima Bezerra (PT), Carlos Eduardo Alves (PDT), Robinson Faria (PSD) e Fábio Dantas (PSB), principais concorrentes ao Governo do Estado, boa parte do eleitorado negligenciar a eleição para o Senado e, principalmente para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa é, não somente uma possibilidade concreta, mas, um filme já visto outras vezes.
 
É um consenso entre as forças progressistas que o impeachment de Dilma e a consolidação do Golpe e da ascensão de Michel Temer ao poder se deram devido à perda do Congresso e a pouca quantidade de parlamentares progressistas nas Casas. A aliança com o PMDB dava aos Governos Lula e Dilma a ilusão que havia uma maioria parlamentar, uma governabilidade absoluta que, como se viu, virou pó. Pior: Virou traição e voltou-se contra o PT. 
 
A partir daí começou um debate sobre a necessidade de eleger líderes progressistas para o Congresso. E em termos de Rio Grande do Norte, eleger uma bancada progressista para dar condições de governabilidade a Fátima Bezerra, caso ela seja eleita governadora.
 
Como na prática a teoria é outra, o risco é que com a definição da candidatura ou não de Lula à presidência e qual o caminho que o PT tomará, assim como o acirramento da campanha para o Governo do RN, as campanhas para o Legislativo federal e estadual sejam, mais uma vez, jogadas para segundo plano.
 
Existem nesta pré-campanha, e mais do que em anos anteriores, nomes de peso no leque progressista (PT, PC do B, PHS e PSOL) tanto para a Assembleia Legislativa como para Câmara Federal e Senado. Nomes que podem, enfim, formar bancadas com mais robusteza que a representação minguada que é a tônica até as legislaturas atuais.
 
Mas, para este crescimento quantitativo e qualitativo é necessária a dosagem certa de forças na campanha para os projetos legislativos e os projetos estadual e federal. “Esquecer” os candidatos do Legislativo na reta final da campanha pode resultar em dor de cabeça depois. Resta esperar e ver se as forças progressistas potiguares – estendido para outros Estados e para as lideranças nacionais, claro – aprenderam com os erros e estratégias equivocadas do passado.
 
Leia outros textos do jornalista Cefas Carvalho aqui

Artigo anteriorPróximo artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *