CAPA, CULTURA

Escritora busca financiamento coletivo para fechar trilogia delirante

A escritora Cellina Muniz corre contra o tempo para viabilizar seu terceiro livro de contos e fechar, assim, uma trilogia de histórias que narram o que ela classifica como “cotidiano bizarro”. Além de dividir os contos com os leitores, a escritora também deseja repartir os custos. Por isso, criou uma espécie de vaquinha virtual, já em fase final de arrecadação.

“Contos do Mundo Delirante” traz 11 narrativas curtas que bebem na mesma fonte onde beberam as duas obras anteriores: “O livro de contos de Alice N” (2012) e “Uns Contos Ordinários” (2014). A estratégia de financiamento coletivo é uma tendência entre os escritores independentes. A participação do leitor é fundamental para viabilizar a obra e evitar os altos custos cobrados, por exemplo, pelas livrarias que chegam a “extorquir” até 50% do preço de capa para venderem os livros de autores, independente da editora. A contribuição pode ser feita pelo endereço do site: kickante.com.br/campanhas/contos-do-mundo-delirante.

“Contos do Mundo Delirante” é fruto da parceria entre os selos editoriais ED!BAR, de Fortaleza, e O Potiguar, de Natal. O projeto gráfico é de André Dias, com fotografia de Alex Medeiros. Direto do além delirante, assinam a orelha os escritores Lima Barreto e Clarice Lispector. A previsão de lançamento é entre maio e junho.

 

Perfil

Cellina Muniz é aquariana com ascendente em gêmeos e mãe de Rosa Maria. Também é professora do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da UFRN, onde desenvolve pesquisas sobre humor e imprensa alternativa. Além dos livros literários citados, publicou também os títulos acadêmicos “Nietzscheanismos” (2009), “Fanzines: autoria, subjetividade e invenção de si” (2010), “Na tal cidade do humor” (2013) e “Notícias da Jerimunlândia: a imprensa de humor em Natal na Belle Époque” (2016).

 

Trecho do conto “Catrevagens e Cotovias”

 

Então, depois de sete anos e três ínguas, além de duas dentiqueiras, encheu o saco e pensou: quer saber? Agora eu vou peidar pra ela. Então mandou-a pastar e foi desfrutar das novas tecnologias e se inteirar dos aplicativos de relacionamentos amoroso-sexuais. Alguém há de me querer, suspirava, dando um peidinho casual na solidão de sua rede.

Foi lá, de uma vez só, se sentindo o próprio touro feroz que vai destruir o universo das mulheres carentes e coitadas que precisam de um macho pra chamar (ou delirar) só seu. Providenciou logo as caixas de Viagra e foi ver as fotos no Badoo e no Tinder e no Twoo e o que mais lá houvesse de suposta promessa de paraíso.

(…)

 

Gostou, curtiu ? Quer ver a obra pronta ? Então apoie Cellina Muniz doando qualquer valor aqui.

Artigo anteriorPróximo artigo
Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *