OPINIÃO

Fascistas não passarão !

Na semana antes dessas famigeradas eleições, fui a João Pessoa participar de um congresso na UFPB. A capital paraibana é sempre muito acolhedora comigo, mas confesso que fiquei assustada com a quantidade de adesivos e camisas pró-Bolsonaro que vi pelas ruas. Como tolerar quem não tolera a diversidade? É uma pergunta que sempre me faço nessas situações. Enfim, respiro fundo e sigo para uma segunda missão: aproveitar o ensejo de estar na cidade e lançar, numa terceira capital nordestina (depois de Natal e Fortaleza), o meu mais recente livro, “Contos do Mundo Delirante”.

No dia previsto para o lançamento, sábado 6 de outubro, véspera do pleito, fomos eu e minha amiga, a produtora cultural Raquel Lucena, até a Livraria do Luiz, no centro de Jampa, sem muitas expectativas. Não só porque muita gente costuma viajar para outras cidades onde votam como também por ser eu uma ilustre desconhecida.

Mas qual não foi minha surpresa pela recepção! A começar pelo gentil casal Ricardo e Janaína que juntos comandam aquele delicioso lugar, referência e resistência das letras em pleno centro comercial. Além de agradável e aprazível, a livraria reúne uma tradicional confraria de amantes da literatura e das artes em geral, materializadas por meio da revista independente “Tamarindo”, cuja produção e circulação são incentivadas pela casa.

Estar ali naquele sábado de sol me deu um pouquinho mais de ânimo e alento, depois de tanto clima terrificante nessa disputa eleitoral. E gostaria de registrar aqui meu sincero agradecimento a alguns nomes que me receberam tão bem (além dos anfitriões, claro), tais como Hildeberto Barbosa Filho, Guy Joseph, João Nicodemos de Araújo Neto, José Ronald Farias, Marco di Aurélio e Políbio Alves, a quem, na condição de ex-preso político, dediquei a leitura do meu conto “Quem aguenta mais um golpe?”.

Em seguida, ainda demos uma canja no espaço “Música Urbana”, lançando – literalmente – nosso livrinho para Robério e seu público, em outro ótimo local de alternativa a um mundo que se mostra tantas vezes tão tirano.

Esse domingo de votação e apuração não foi fácil, por tanta truculência vista. Mas, enquanto voltávamos para casa, a lembrança de como pode existir ainda ternura e de como não custa nada ser gentil com aquilo que nos é estranho e diferente, exemplo que nos deu João Pessoa, nos encheu de esperança por um 2º turno que vem aí. Ocasião em que poderemos afirmar com paz e amor nos corações que fascistas não passarão!

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