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Isaura Rosado é exonerada e Cultura terá 4º diretor na gestão Robinson

Isaura Rosado dirigiu a Fundação José Augusto em três gestões

Depois de muito disse-me-disse, a exoneração da professora Isaura Rosado da direção geral da Fundação José Augusto finalmente foi publicada nesta quarta-feira (4), no Diário Oficial do Estado. Assim, a pasta da Cultura parte para o quarto gestor em pouco mais de três anos. Por enquanto, assume o médico e escritor Iaperi Araújo, que exercia a função de diretor administrativo do órgão. Iaperi já dirigiu a FJA entre 1991 e 1994, na gestão do então governador José Agripino Maia (DEM), e volta 24 anos depois. A assessoria de comunicação do Governo do Estado, no entanto, não confirmou se Araújo será efetivado no cargo.

Antes de Isaura Rosado, também passaram pela Fundação José Augusto durante a gestão Robinson Faria o ator Rodrigo Bico e o poeta Crispiano Neto, ambos indicados pelo PT. Essa foi a terceira passagem de Isaura pela FJA, que dirigiu o órgão nos governos Wilma de Faria e Rosalba Ciarlini.

As três exonerações no principal posto da Cultura foram provocadas por interferências políticas, a maioria envolvendo diretamente o deputado federal Fábio Faria (PSD), filho do governador Robinson Faria.

Rodrigo Bico passou 8 meses no cargo e deixou a pasta após divergências entre o grupo da senadora Fátima Bezerra (PT) e Fábio Faria na disputa pelo cargo da superintendência da CBTU.

O mossoroense Crispiano Neto durou ainda menos tempo na cadeira. Seis meses depois de assumir, ele pediu exoneração assim que Fábio Faria anunciou apoio ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Além de Crispiniano, os demais cargos comissionados ocupados por indicação do PT também deixaram a gestão.

A professora Isaura Rosada ficou dois anos na direção da FJA e, oficialmente, justificou a saída alegando que vai coordenar a campanha à reeleição do sobrinho, o deputado federal Beto Rosado (PP).

Nos bastidores, porém, a informação é de que a exoneração está relacionada com a tentativa de Fábio Faria tomar o controle do PP das mãos do grupo ligado à ex-governadora Rosalba Ciarlini, cunhada de Isaura Rosado. Tanto o filho do governador como a professora Isaura negam essa versão.

Por telefone, Isaura Rosado voltou a dizer que o motivo de sua saída da pasta está ligado à campanha de Beto Rosado:

– Eu não poderia estar num cargo público e desenvolver uma atividade partidária, por isso pedi para sair.

Ela afirmou que entrega a gestão com o sentimento de dever cumprido. A professora brinca dizendo que foi mais secretária de Obras do que gestora da Cultura durante os últimos dois anos. E cita a restauração do Teatro de Caicó e do Museu Café Filho, a volta do Forte dos Reis Magos para o controle do Governo do Estado e outros projetos agilizados em sua administração:

– Deu para fazer o que me comprometi com o governador. Entregamos obras, como a restauração do Teatro de Caicó e do Museu Café Filho e estamos concluindo a Biblioteca Câmara Cascudo. Também foram entregues vários projetos e licitações, como a do teatro Lauro Monte, do Teatro Alberto Maranhão e da Escola de Dança.

A experiência de quatro gestores em pouco mais de três anos mostra que a cultura não é prioridade para o governo Robinson Faria. Em que pese ações realizadas pelos diretores que passaram pela pasta, nunca houve unidade nem uma política pública definida para o setor.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"