CAPA, DEMOCRACIA

Júlia Arruda rompe com administração Álvaro Dias e abre crise na relação PDT e MDB

foto - júlia - elpídio júnior

A vereadora Júlia Arruda (PDT) anunciou nesta quarta-feira (6) o rompimento político com o prefeito Álvaro Dias (MDB) apenas dois meses após o início da nova gestão. A parlamentar foi uma das principais bases de sustentação da administração Carlos Eduardo Alves na Câmara Municipal.

Já o MDB é o maior aliado da candidatura de Alves ao Governo do Estado, que tem como companheiro de chapa o senador Garibaldi Alves Filho, candidato à reeleição em outubro.

O PDT ainda conta com os vereadores Ary Gomes e Chagas Catarino na bancada governista.

Porém, o rompimento de Júlia abre uma crise na relação do partido com o MDB. Quando o ex-prefeito renunciou ao cargo em abril para disputar o Governo, Carlos Eduardo e Álvaro Dias selaram um acordo para que o novo gestor mantivesse os secretários escolhidos por Alves até 31 de dezembro de 2018. Foi o mesmo compromisso assumido por Carlos Eduardo quando a ex-prefeita Wilma de Faria deixou a prefeitura para disputar o Governo, em 2002.

No entanto, Álvaro Dias já substituiu a titular da secretaria municipal de Saúde Saudade Azevedo pelo farmacêutico George Antunes.

Júlia Arruda é a sétima vereadora a aderir à oposição. Além dela, o bloco dos descontentes com a administração Álvaro Dias conta com Natália Bonavides (PT), Fernando Lucena (PT), Sandro Pimentel (PSOL), Raniere Barbosa (Avante), Dinarte Torres (PMB) e Cícero Martins (PSL). Há expectativa de que a vereadora Ana Paula Protásio também anuncie o rompimento amanhã. Eleika Bezerra (PSL) se autointitula “independente”, mas também tem votado sempre com a oposição.

Até agora a prefeitura tem o controle da situação. O temor, no entanto, é que a oposição chegue a 10 vereadores, número mínimo para a abertura de Comissões Especiais de Inquérito (CEI).

Em um discurso contundente no plenário da Casa, Júlia criticou o que classificou como “articulação rasteira” de Álvaro Dias ao convocar um grupo de vereadores para impor normas de conduta nas votações da Câmara.

A nova gestão, num movimento claramente articulado e rasteiro, e através de um pretexto apelidado de “realinhamento da bancada”, chamou os vereadores das mais diversas matizes políticas para um constrangedor confessionário com o Sr. Prefeito, onde foram impostas normas de conduta numa espécie de “vereador da minha bancada tem que votar como eu mandar”.

Os vereadores da bancada governista que estiveram com Álvaro Dias se queixaram sobre o tratamento do prefeito. Os parlamentares foram chamados e, um a um, Dias cobrava apoio à gestão e também apoio à candidatura do filho Adjuto Dias, delegado de polícia, a deputado estadual.

A “chave de roda” de Álvaro Dias nos vereadores, como critica a vereadora Júlia Arruda, ainda é reflexo da votação constrangedora, na semana passada, do decreto do vereador Sandro Pimentel (PSOL) que vetava o aumento da tarifa de ônibus para $ 3,65 com base em irregularidades na convocação do Conselho de Transporte, que autorizou o reajuste.

No dia anterior à votação, a maioria dos vereadores derrubou o parecer contrário da Comissão de Legislação e Justiça ao decreto, mostrando a adesão inclusive da base governista à matéria.

A derrota da prefeitura e dos empresários de ônibus custou vários cargos comissionados de parlamentares governistas e alguns vereadores mudaram de lado, ratificando o reajuste na tarifa, o que penalizou milhares de usuários do transporte público na capital.

No discurso em que anunciou o rompimento, Júlia Arruda não fez referência a esse episódio, mas destacou que não abrirá mão do interesse coletivo no mandato, agora na oposição:

– Nunca aceitei, não aceito e jamais aceitarei abrir mão de exercer meu mandato de acordo com o que acredito. Coerência, legitimidade, independência e compromisso com o interesse da coletividade são as bases da minha conduta e continuarão norteando a minha vida pública. Pressão nenhuma foi ou será capaz de violar meus princípios. Pra mim, respeito e credibilidade não são moeda de troca.

Procurados pela Agência Saiba Mais, a assessoria de comunicação da prefeitura afirmou que o prefeito Álvaro Dias (MDB) não iria se pronunciar. Já assessoria do ex-prefeito e pré-candidato ao Governo do Estado Carlos Eduardo Alves disse que “ele está dedicado à pre-campanha e o assunto não faz mais parte de sua esfera”.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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