CAPA, CULTURA, DEMOCRACIA

Manifestações contra fascismo marcam primeira noite do Festival Mada

Os artistas, ou grande parte deles, têm lado: o da defesa da democracia, contra o fascismo. Isso ficou explícito na primeira noite da 20ª edição do Festival Mada, em Natal. Na sexta-feira (12), os três palcos do evento receberam diversas manifestações de repúdio ao candidato à Presidência de extrema-direita, Jair Bolsonaro.

Adesivos e camisetas da campanha de Fernando Haddad presidente e #elenão circulavam por toda a plateia na Arena das Dunas.

“A música tem um papel complementar junto com todo o resto. É uma questão que vai além da arte, porque a situação tá muito feia, muito perigosa. Todos os setores da sociedade precisam de mobilização”, alerta o guitarrista Lúcio Maia, da banda Nação Zumbi, após o show que começou com a música “Refazenda”, de Gilberto Gil. Composta em 1975, teve significado atribuído à ditadura militar, embora o músico tenha negado.

A apresentação dos pernambucanos exibiu um vídeo com vários momentos em que Bolsonaro repetia grave ameaça ao povo, especialmente aos mais pobres. Em todos os recortes o candidato dizia “o trabalhador vai ter que decidir: menos direito e emprego ou todos os direitos e desemprego”.

A música deu lugar a vaias e gritos de protesto quando o candidato também apareceu no telão oferecendo capim aos nordestinos.

Lúcio Maia lembra que a música sempre serviu de “estandarte para vários movimentos políticos” em diversos momentos da história, mas insiste que é preciso fazer mais.

“O veículo da música pode diretamente não estar influenciando mais e é necessário que a gente tenha outra alternativa pra tentar fazer com que as pessoas saibam o que tá acontecendo”, disse, ao defender que dentro do entretenimento deve existir também a obrigação de inquietar as pessoas. Por isso, conclui que a melhor para reagir politicamente é durante os shows, mais do que em qualquer outro lugar.

De volta aos palcos com o Cordel de Fogo Encantado, o vocalista Lirinha saudou o mestre de capoeira Moa do Katendê, morto no domingo de eleição (5), em Salvador, por um apoiador de Bolsonaro.

Para cantar “Matadeira” explicou que o título se trata de uma “metralhadora que foi contratada pelo governo brasileiro pra resolver o problema de uma comunidade que se formou com mais de 30 mil pessoas no interior da Bahia”. É de Canudos que ele fala e explica que de lá surgiu o termo “favela”.

Lirinha encerra o comentário sobre o fato que aconteceu há mais de 100 anos levando o público à euforia com um alerta: “jamais beberemos a água do esquecimento”.

A noite contou ainda com a internacionalmente conhecida Far From Alaska, que na contramão do preconceito que cresce contra os nordestinos, prova que desse lado do país muita se produz bem e muito.

“A galera fica surpresa quando sabe que a gente é do Nordeste. A gente gosta muito de passar a mensagem de que isso também é música potiguar, esse rock inglês do jeito que ele é também se enquadra no genêro ‘música potiguar’ porque nós somos daqui, crescemos aqui e existe uma cena rock”, disse a tecladista Cris Botarelli, acreditando que isso expande o conceito do que é Nordeste.

A vocalista, Emmily Barreto, foi convidada a subir ao palco com Pitty, última atração da festa para apresentar “Contramão”, single gravado pela rockeira também com Tássia Reis.

Também compuseram o line up Jade Baraldo, Àtooxá, Alfonsina (Uruguai) e Saint Chamaleon (Áustria). O palco Mada Arena recebeu Demonia, Talma e Gadelha, Rieg, Duda Beat e Dingo Bells.

Confira a programação deste sábado:

Palco TNT Energy Drink Stage
19h40 – Angela Castro
21h10 – Luísa e Os Alquimistas
22h50 – Rincon Sapiência
0h30 – Franz Ferdinand (UK)
Palco Coca-Cola
19h – Oto Gris
20h20 – Alphorria
22h – Larissa Luz
23h40 – Francisco El Hombre
2h – Baiana System
Palco Mada Arena
19h – Ciro e a Cidade
20h – Ardu
20h – Bex
21h – Potiguara Bardo

Serviço | Festival Mada
Datas: 12 e 13 de outubro
Horário: abertura dos portões às 17h30
Valor: de R$ 60 a R$ 220

Ingressos: Loja Oticalli do shopping Midway Mall e online através do Sympla e da Arena das Dunas

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

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