CAPA, CIDADANIA

Médica eleitora de Bolsonaro admite que rasgou receita de aposentado

A médica infectologista Tereza Dantas admitiu que rasgou a receita de um paciente do Hospital Giselda Trigueiro depois que ele disse não votar no candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). O fato aconteceu na segunda-feira (08), após a votação do primeiro turno, na presença de outros funcionários do hospital, localizado em Natal (RN).

A Agência Saiba Mais entrou em contato por telefone com Tereza, que disse estar “arrependida”. A vítima já foi servidor da unidade de saúde e é conhecido como Jean Menezes.

De acordo com o Sindicato dos Servidores em Saúde do RN (Sindsaúde-RN), o aposentado de 72 anos é paciente de outra médica, que não estava na unidade. O ex-servidor foi encaminhado a Tereza para solicitar receita de um medicamento que usa regularmente.

A médica conta que estava doente e que chegando ao trabalho pediu para atender somente a quem já estivesse com consulta agendada. Abriu a exceção para o aposentado, porque já o conhecia.

“Passei o sábado inteiro de cama, com febre, nariz e garganta ardendo e doendo. Cogitei não ir trabalhar na segunda, cheguei a mandar mensagem pra minha chefe, mas acordei um pouco melhor e fui”, contextualizou, ao narrar que durante o atendimento conversaram sobre as eleições.

“Realmente eu me alterei. Não nego. Perguntei em quem ele iria votar e quando ele informou que não seria no meu candidato, eu rasguei a receita. Fiz errado”, contou, assumindo que deve pagar a pena que for necessária, ao mesmo tempo em que justificou o erro pelo momento por que passa o Brasil.

“Quem não está alterado? Quem está em sã consciência feliz vivendo com a política que a gente tem? Não estou negando meu erro”, alertou.

Tereza disse que ao chegar em casa pensou muito sobre o que havia acontecido e orou a Deus para que não fosse tão extremista. Ela garante que também estava decidida a procurar o ex-colega de trabalho para pedir desculpas, antes mesmo da repercussão do caso.

Após atitude da profissional, na presença de outros funcionários, o aposentado procurou o serviço social, que encaminhou para outro médico e assim recebeu a receita. O aposentado procurou o Sindsaúde muito aflito e relatou o caso na manhã desta terça (09).

O Sindsaúde já entrou em contato com a ouvidoria do hospital, que informou estar tomando providências jurídicas. A vice coordenadora do Sindicato, Simone Dutra, e a assessoria jurídica do sindicato acompanharam o aposentado para fazer um B.O na delegacia.

“A postura desta médica é inadmissível! Além de ser um desrespeito e um constrangimento ao aposentado, fica clara a utilização da sua profissão e do serviço público para coagir o voto no seu candidato. O Sindsaúde não tolerará atos como este e já está tomando todas as medidas jurídicas e políticas”, disse Simone.

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Isabela Santos
Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais

3 Comments

  1. Existe fanáticos de ambos os lados. Se este caso sobre essa médica aconteceu realmente ,está errada, qual o nome dela? Isso me parece fake , o pessoal do PT é muito imaginativo , mente muito, a começar por seu líder Lula.

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