OPINIÃO

Partido Moderno

Carlos Fialho escreve às segundas-feiras

Olá, sou um representante do Partido Moderno, aquele que defende a tradição e os costumes, mas com uma roupagem super transada e alinhada, pois representamos o quê? Isso mesmo: o novo na política. Aliás, estamos tinindo, mandamos embrulhar nosso discurso com uma embalagem que está uma belezura. Para ser mais claro: nosso partido está um pão, morou? Nossas propostas são do balacobaco, nossa agenda é supimpa e nossa plataforma é boa pra dedéu. Se vossa mercê também está indignado com a política atual como nós, putz grila!, acredite no Moderno.

Nossa agremiação partidária está na crista da onda, disposta a dar um basta neste grande banzé no qual se converteram as instituições brasileiras. Afinal de contas, ora, bolas!, a situação da maneira em que está beira o quiproquó! Entretanto, com a sacudida que daremos no esqueleto, nossa patota que é pra lá de batuta vai arrebentar a boca do balão. Foi para trazer um bocado de frescor à vida nacional que resolvemos tirar nossas barbas de molho e não bancar os borra-botas, agir para edificar um projeto liberal em nosso país.

O liberalismo é uma tendência no mundo que defende uma menor destinação de tutu para o Estado, além de menos interferência dos governos na vida do cidadão para que este possa economizar suas patacas e aplicá-las na livre circulação de cruzeiros pelo mercado privado. Sabemos que, para deixar tudo nos trinques teremos uma parada dura pela frente. Porém, não podemos nos fazer de rogados, mesmo que muitos banquem os lelés da cuca ou não compreendam patavinas do que defendemos, é preciso nos manter firmes na paçoca e nos apressar para que nossa mensagem chegue rápido como um telegrama aos nossos correligionários. Não há tempo a perder: é sebo nas canelas, moçada!

O nosso liberalismo é um pouco diferente do clássico, porque é um liberalismo mais pra frentex, sem aqueles anacronismos que são do arco da velha. Porque cremos em algumas intervenções pontuais e necessárias por parte do Estado. Como, por exemplo, a implantação da escola sem partido, promovendo censura e punições rigorosas nas universidades e instituições de ensino. Seria o maior barato. Outro projeto que seria um estouro é o da liberação de armas para o cidadão de bem. Mas claro que não defendemos qualquer liberdade, pois somos a favor da redução da maioridade penal, senão pode dar o maior bode, saca?

Temos sido acusados por alguns opositores cheios de nove horas, desses que falam mais que o homem da cobra, mas que não valem um tostão furado de sermos um tanto quadrados e caretas. Pombas, bicho! Vão catar coquinho! Estas asneiras me deixam por demais borocoxô. Duvide-o-dó que estes chatos de galocha entendam bulhufas do trabalho chocante que iremos realizar caso alcancemos pleno êxito no pleito, meu chapa. Minha vontade é explicar novamente para eles: querem que eu volte a fita?

Mas não adianta. Estes cavalheiros dançaram e não vão nos fazer dar no pé. Pelo contrário, estamos cada vez mais gamados em nossas ideias e animados a botar pra quebrar. Para ser mais preciso, estamos mais faceiros que ganso em taipa de açude. Serelepes mesmo, compreende? Como se tivéssemos tomado uns birinaites, bem saidinhos, quase traquinas. Por isso, não tem grilo. Estas pessoas certamente estão indo na onda de algum desafeto. Mas chuchu beleza, isso a gente tira de letra, vai ser fichinha.

Aproveite que você nos apoia e nos ajude a sair da pindaíba, adquirindo já o nosso decalque para colar no seu carango. Se você já é um broto, boa pinta, anda sempre na beca, saiba que não basta ser um pão para atrair olhares das dondocas. É preciso deixar de ser cafona e aderir a este ótimo partido que é o Partido Moderno. É tão bom partido que, se fosse permitido, você casaria com ele, percebeste? Um partido tão bom que é pra casar! Praticamente uma teteia. Ah, mas deixemos de chorumelas e coloquemos de lado tal espírito pândego. Participe do processo seletivo de nossa organização, pois aqui só pode entrar quem tem a barra limpa. Não que precise ter respeito pelos outros, moderar os conteúdos em redes sociais ou ser proibido de espalhar mentiras e preconceitos por aí. Achamos cafona reprimir nossos membros quando combatem a ideologia de gênero, o mimimi do racismo e essa moda de feminismo que é tão anos 60, afe! É fogo, de lascar, viu?

Sigamos em frente, rumo ao futuro. Nem que a vaca tussa permitiremos que o amanhã seja tão chumbrega como alguns aparvalhados apregoam. Será um tempo joia, uma brasa, legal pra chuchu. Outrossim, já está na hora de vivermos “Tempos Modernos” como naquele filme bacana daquele artista novinho, o Chaplin.

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Carlos Fialho é escritor, publicitário, jornalista e escreve às segundas-feiras

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