CAPA, DEMOCRACIA

Perfil da nova ALRN será conservador, mas centro-esquerda amplia bancada

O perfil da próxima Assembleia Legislativa continuará conservador, com a maioria dos partidos ligados ao campo do centro-direita e agora até da extrema-direita. No entanto, as eleições deste ano mostraram um crescimento dos partidos de centro-esquerda na Casa.

O PT dobrou a bancada elegendo dois deputados (Isolda Dantas e Francisco do PT), o PSOL terá seu primeiro representante (Sandro Pimentel), o PHS manteve a cadeira do deputado Souza, identificado com o perfil de centro, e o Solidariedade elegeu dois deputados, um deles o servidor público Allyson Bezerra, ideologicamente afinado com o centro-esquerda.

Em compensação, a extrema-direita terá seu representante com a eleição do coronel Azevedo, que fez campanha usando o nome do candidato à presidência da República Jair Bolsonaro (PSL).

Mesmo perdendo três deputados, o PSDB seguirá sendo o maior partido da ALRN, com 5 deputados eleitos. Ao todo, 14 siglas elegeram parlamentares. À exceção dos tucanos, os demais partidos serão representados por dois ou um deputado (veja quadro ao final desta matéria). Seguindo a lógica empresarial das campanhas, o presidente da Assembleia Legislativa foi o primeiro colocado. Ezequiel Ferreira de Souza obteve 58.221 votos, o único que ultrapassou a marca dos 50 mil eleitores.

O legislativo estadual terá a renovação de um terço dos deputados. Das 24 cadeiras, 9 serão ocupadas por nomes novos. Dos parlamentares que deixam a Casa legislativa, 7 não conseguiram se reeleger ou eleger seus sucessores, um foi condenado e impedido de concorrer às vésperas da eleição e um se elegeu deputado federal.

Saíram de cena representantes de famílias tradicionais do Estado, como Larissa Rosado (filha da ex-deputada federal Sandra Rosado), Jacó Jácome (filho do deputado federal Antônio Jácome), Ricardo Motta (pai do deputado federal Rafael Motta), Gustavo Fernandes (filho do ex-deputado estadual Elias Fernandes) e Márcia Maia (filha dos ex-governadores Lavoisier Maia e Wilma de Faria).

José Adécio tentou “transferir” a vaga para o filho Gustavo Costa e também naufragou. O herdeiro teve 22.767 e não conseguiu se eleger por conta do coeficiente eleitoral, embora tenha tido mais votos que quatro dos deputados que entraram.

Carlos Augusto Maia, que começou a legislatura no PSD e em janeiro migrou para o PCdoB após desentendimentos com o Governo, também ficou de fora.

O ex-prefeito de Goianinha e deputado estadual Disson Lisboa (PSD) deixará o mandato em 31 de dezembro após ser impedido de concorrer este ano em razão dos efeitos da lei da Ficha Limpa. Condenado pela Justiça, ele ainda é líder do governo Robinson na ALRN e tem ido trabalhar desde o ano passado com tornozeleira eletrônica. Disson apoiou a candidatura do presidente da Assembleia Legislativa Ezequiel Ferreira de Souza, o campeão de votos.

O único que deixa a Assembleia Legislativa de cabeça erguida é o deputado federal eleito Fernando Mineiro (PT). O parlamentar foi o terceiro mais votado no geral para a Câmara Federal, com 98.070 votos, e fará uma dobradinha com a petista Natália Bonavides.

Os candidatos do campo progressista ganharam mais espaço na próxima legislatura. A bancada de centro-esquerda, por exemplo, triplicou.

Se até 2018 o deputado estadual Fernando Mineiro (PT) atuou praticamente isolado, a partir do próximo ano serão três deputados do campo progressista: Isolda Dantas e Francisco do PT, ambos do PT, e Sandro Pimentel, do estreante PSOL. Na coligação formada por PT, PCdoB e PHS, o deputado estadual Sousa (PHS) se reelegeu e costuma votar pautas do mesmo campo.

O Solidariedade elegeu dois deputados: o estreante servidor público Allysson Bezerra, de Mossoró, identificado com o campo de centro-esquerda, além do moderado Kelps Lima.

Apesar da ampliação da bancada progressista, a extrema-direita ganhou um representante. O coronel Azevedo (PSL) fez campanha em cima da popularidade do candidato à presidência Jair Bolsonaro e foi o 18º deputado mais votado, com 27.606 votos. Ele é ex-comandante geral da Polícia Militar no governo Robinson Faria.

Outro detalhe que chama a atenção na nova composição do legislativo estadual é a presença de quatro vereadores eleitos em 2016, três de Natal e uma de Mossoró. Além de Sandro Pimentel (PSOL), também se elegeram Eudiane Macedo e Ubaldo Fernandes, ambos do PTC. Da capital do Oeste vem Isolda Dantas (PT).

Os outros dois novatos são o médico Dr. Bernardo, do município de Almino Afonso, e o empresário natalense Kléber Rodrigues, ambos do Avante, presidido no RN pelo presidente da Câmara Municipal de Natal Raniere Barbosa.

Veja como ficou a distribuição dos deputados eleitos por partidos:

PSDB
Ezequiel Ferreira
Gustavo Carvalho
Tomba Farias
Raimundo Fernandes
José Dias

PSD
Galeno Torquato
Vivaldo Costa

PR
George Soares

PROS
Albert Dickson

PT
Isolda Dantas
Francisco do PT

PHS
Souza

PSOL
Sandro Pimentel

MDB
Nelter Queiroz
Hermano Morais

DEM
Getúlio Rêgo

SD
Kelps Lima
Alyson Bezerra

PTC
Eudiane Macedo
Ubaldo Fernandes

Avante
Bernardo Amorim
Kleber Rodrigues

PPL
Cristiane Dantas

PSL
Coronel Azevedo

 

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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