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Violência no campo bate recorde e registra 70 assassinatos em 2017

Vinte e dois anos depois do maior massacre no campo já registrado no país, quando 19 trabalhadores sem-terra foram assassinados em Eldorado dos Carajás, os números da violência no campo seguem aumentando. Relatório da Pastoral da Terra divulgado nesta terça-feira (17) apontou que, em 2017, o número de homicídios no campo chegou a 70, um aumento de 15% em relação a 2016. Na lista de ocorrências, quatro massacres foram registrados na Bahia, Mato Grosso, Pará e Rondônia. Dos 70 assassinatos em 2017, 28 ocorreram em massacres, o que corresponde a 40% do total. Desde 2003, quando 73 pessoas foram assassinadas na zona rural do país, a violência no campo era tão grande.

 

 

A Comissão Pastoral da Terra ressalta, no entanto, que nem todos os crimes são registrados. “A publicação da CPT é apenas uma amostra dos conflitos no Brasil”, dizia Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás (GO) e um dos fundadores da Pastoral.

Os assassinatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais sem-terra, de indígenas, quilombolas, posseiros, pescadores, assentados, entre outros, tiveram um crescimento brusco a partir de 2015. O estado do Pará lidera o ranking de 2017 com 21 pessoas assassinadas, sendo 10 no Massacre de Pau D’Arco; seguido pelo estado de Rondônia, com 17, e pela Bahia, com 10 assassinatos.

 

 

Em 32 anos, apenas 8% das mortes no campo foram julgadas

 

A CPT registra os dados de conflitos no campo de modo sistemático desde 1985. Entre os anos de 1985 e 2017, a CPT registrou 1.438 casos de conflitos no campo em que ocorreram assassinatos, com 1.904 vítimas. Desse total de casos, apenas 113 foram julgados, o que corresponde a 8% dos casos, em que 31 mandantes dos assassinatos e 94 executores foram condenados. Isso mostra como a impunidade ainda é um dos pilares mantenedores da violência no campo.

Nesses 32 anos, a região Norte contabiliza 658 casos com 970 vítimas. O Pará é o estado que lidera na região e no resto do país, com 466 casos e 702 vítimas. Maranhão vem em segundo lugar com 168 vítimas em 157 casos. E o estado de Rondônia em terceiro, com 147 pessoas assassinadas em 102 casos.

Veja o relatório da Comissão da Pastoral da Terra sobre violência no campo aqui

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