OPINIÃO

​​Impeachment ou derrota na urna? Eis a questão!​

Conversando com analistas políticos e com lideranças de Esquerda o que se percebe é um dilema quase hamletiano no que tange o que se deseja ao despresidente Jair Bolsonaro, que vem unindo uma péssima gestão da pandemia com insinuações de golpe, autoritarismo, grosserias cotidianas e agora suspeitas fortes de corrupção.

Uma parte de analistas e políticos pede o impeachmente urgente do​ despresidente. Crimes não faltam​, de atentar contra a democracia a genocídio passando pela recém-descoberta prevaricação do caso da compra superfaturada da Covaxin. Um impeachment imediato, antes mesmo de virar o ano, posto que 2022 é ano eleitoral.

Outra parte de analistas e lideranças de Esquerda pensa diferente. Avalia que Bolsonaro tem de ser derrotado no voto, para que se caracterize sua desaprovação popular e a rejeição ao ser modo de (não) fazer política.

Entre este segundo grupo há os que aliam esse argumento com outro menos nobre: de que sangrando politicamente e enfraquecido, Bolsonaro seria o nome ideal para se lutar contra em um segundo turno.

Ou seja, cálculo político, o que já fez de certa maneira em 2018 e o que talvez não seja conveniente neste momento, mas, enfim.

De qualquer maneira os dois cenários têm prós e contra e ambos carregam particularidades e desafios.

Sofrendo o impeachment​ de forma rápida, o bolsonarismo terá o argumento de que Jair foi afastado porque os adversários (unidos num acordo com Supremo, com tudo) tinham medo de enfrentá-lo em 2022, ou seja, ele teria razão de que a eleição seria fraudada. Portanto, os bolsonaristas teriam munição para nos perturbar no esgoto da web por muito tempo.

Há ainda o fator Mourão. Com um general assumindo a presidência não ficará ainda mais tenso imaginá-lo passando a faixa presidencial para, por exemplo, Lula?

Por outro lado, mantendo-se Bolsonaro na presidência à espera que ele se esfarele, corremos o risco de vê-lo destroçando ainda mais as instituições, escolhendo ministros para o STF e com a caneta na mão. Um perigo, certamente. E se tem alguém que não passaria a faixa para Lula (e, suponho, para ninguém) é justamente Jair.

Portanto, estamos todos nessa encruzilhada. Mais que um dilema shakesperiano, um verdadeiro e brasileiríssimo “se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come”. Pena que o bicho em questão é feroz, perigoso e ocupa a presidência da República.

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *