OPINIÃO

Acreditar ou não no bom velhinho?

Foi no Natal de 2011 que minha filha, então com oito anos, questionou pela primeira vez a existência do Papai Noel.

“Mãe, o Papai Noel existe mesmo?”, perguntou. Eu, sem querer acabar com os sonhos daquela florzinha de menina, repliquei com um “o que é que você acha?”

Ela então disse: “desconfio que não é ele quem me dá os presentes todo ano, primeiro porque ele nunca dá exatamente o que eu peço e depois porque a letra do papai Noel é igual a do tio Mário,” constatou, com um sorriso maroto.

Eu sempre questionei os presentes caros que ela pedia ao Papai Noel e a fazia aceitar que, talvez, o bom velhinho pudesse dar um presente alternativo, no mesmo estilo, mas não tão caro, porque senão ele não teria como dar para todas as outras criancinhas. Ela dizia “mas é ele quem fabrica os presentes?”, e eu respondia que sim, mas as peças eram caras.

E o presente sempre ia com um cartãozinho devidamente assinado, sendo que eu pedia a outra pessoa para fazê-lo, exatamente para evitar que ela reconhecesse minha letra… Naquele Natal, pedi ao meu marido, na época, Mário, que assinou e me deixou crente que havia conseguido disfarçar perfeitamente e manter a fantasia dela.

Mas aos oito anos ela descobriu tudo… ou quase… Porque depois disso ela chegou toda feliz para contar a descoberta aos avós paternos que lamentaram o fim da fantasia de criança. Percebendo a decepção dos avós, ela criou uma outra forma de voltar a acreditar no “bom velhinho”.

Passou a contar a história de que Papai Noel recebia a cartinha, via se a criança merecia o que estava sendo pedido, e mandava o dinheiro para os pais dela irem comprar na loja. Depois os pais mandavam o presente pra o bom velhinho entregar na noite de Natal, já com o cartão assinado, para facilitar a vida dele…

Já não era bem uma fantasia, mas a imaginação dela em ação pra que os avós continuassem acreditando que ela ainda acreditava em Papai Noel.

No meu caso, lembro que muito cedo meus irmãos mais velhos fizeram questão de acabar com essa fantasia. Mas preciso confessar aqui que, até os 14 anos, mesmo assim, na manhã de Natal eu dava aquela olhada debaixo da cama, pra conferir se de repente não havia mesmo nenhum presente.

Porque achava que, a partir do momento em que descobri que eram meus pais que colocavam os presentes lá, eles deixariam de fazê-lo, e aí é que o verdadeiro Papai Noel entraria em cena.

Hoje de manhã, acordei com vontade de olhar debaixo da cama e retomar ali toda a fantasia do Natal. É que, fora o apelo comercial da data, é muito gostosa a sensação de acreditar, sabe? E sinto muito por isso estar se perdendo com o tempo…Afinal, a atual realidade das nossas crianças (e de todos os brasileiros) exige, mais do que nunca, uma capacidade de acreditar que só a imaginação é capaz de dar…

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