DEMOCRACIA

Foi golpe e Miriam Leitão sabe disso, afirma Dilma Rousseff em debate que ganhou as redes neste domingo

Foi um golpe de Estado. “Miriam Leitão sabe disso, mas finge ignorar”, afirma nota publicada por Dilma Rousseff neste domingo, 24, em resposta à colunista do jornal O Globo Miriam Leitão. O debate viralizou nas redes após um fim de semana de manifestações de insatisfação popular com o governo de Jair Bolsonaro nas ruas, com a realização de carreatas, atos e até protestos em bicicletas em 87 cidades, incluindo 24 capitais e o Distrito Federal.

A jornalista afirmou em coluna publicada neste domingo que diante dos crimes de Bolsonaro o processo de impeachment da petista se torna injusto e analisa o que deve acontecer com o atual Chefe do Executivo.

“Se permanecer intocado e com o seu mandato até o fim, a história será reescrita naturalmente. O impeachment da presidente Dilma parecerá injusto e terá sido“, afirma Miriam em sua coluna.

A jornalista, no entanto, considera que o processo de impeachment da presidente Dilma “não foi apenas por um preciosismo fiscal”, responsabilizando a petista por “erros de decisão” que, segundo a analista econômica levou o país a uma recessão que “destruiu 7% do PIB em dois anos”.

“Tudo isso derrubou sua popularidade e ela não teve sustentação política. Não foi um golpe”, assegura Miriam.

O artigo da jornalista repercutiu nas redes depois da resposta da presidenta Dilma Rousseff. “Sabidamente, crises econômicas e maus resultados em pesquisas de opinião não estão previstos na Constituição como justificativas legais para impeachment. Miriam Leitão sabe disso, mas finge ignorar.”

Em nota, Dilma disse que não há analogia possível, que seu caso foi “golpe” de Estado, e que Miriam escolheu “o lado errado” da história. “A relação entre os dois processos não é análoga, mas de causa e efeito. Com o golpe de 2016, nasceu o ovo da serpente que resultou em Bolsonaro e na tragédia que o Brasil vive hoje, da qual foram cúmplices Miriam Leitão e seus patrões da Globo.”

Segundo Dilma, o golpe de 2016 que levou ao seu impeachment, “foi liderado por políticos sabidamente corruptos, defendido pela mídia e tolerado pelo Judiciário. Um golpe que usou como pretexto medidas fiscais rotineiras de governo idênticas às que meus antecessores haviam adotado e meus sucessores continuaram adotando.” 

Dilma foi afastada da Presidência da República em abril de 2016. Em agosto, foi retirada do cargo de vez. Dois dias após impeachment, Michel Temer sancionou a lei que flexibiliza o remanejo do Orçamento, justificativa principal do afastamento de Dilma.

Além das manifestações do sábado (23), convocadas por movimentos sociais, sindicais, partidos de esquerda e Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, no domingo, movimentos identificados com o espectro político da direita, como o Vem Pra Rua Brasil e o MBL (Movimento Brasil Livre), organizaram carreatas em defesa do impeachment de Jair Bolsonaro.

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