OPINIÃO

Ele me deu um beijo na boca…

Estávamos tão entregues, tão dentro do beijo, que mesmo de olhos bem fechados, ou até por isso, já que a falta da visão aguça outros sentidos tantos, reconhecemos o perfeito encaixe dos nossos desejos, expressos em movimentos lentos de lábios, línguas e vontades, saciadas assim: DE-VA-GA-RI-NHO.

Você não resistiu em declarar o quanto aquilo era bom, enquanto retomava o fôlego gasto durante o esquecimento da necessidade de respirar. Impedida de falar, já que com a boca deliciosamente ocupada, lhe dei razão com um olhar, daqueles que abraçam e consentem, a um só tempo. Sem medo, nos permitimos nos perder ali, virando de costas por alguns segundos pro tempo, pro mundo, pra vida.

Olha que não é nada fácil se perder assim, de propósito, dentro de um beijo, com toda a intensidade devida e merecida a esse instante mágico. Eu mesma não o fazia talvez há mais de sete anos (acho que andei bebendo sem brindar naquela época. Sabe como é…rsrsrsrs). O que não significa que não beijei, ou transei, durante todo esse período. Mas nada a ponto de me perder, e gostar disso.

E estou certa de que Caetano ajudou bastante (ou nos provocou, afinal), não sei se como testemunha ou cúmplice, cantando na minha vitrola os versos loucos do maravilhoso devaneio de letra que começa com “Ele me deu um beijo na boca”, mensagem subliminar que provavelmente nos obrigou a unir lábios, línguas e vontades, como quando bebem coca-cola num filme qualquer e ficamos sedentos por ela.

Mas antes que Caetano sentenciasse que “Era um momento sem medo e sem desejo. Ele me deu um beijo na boca. E eu correspondi àquele beijo”, o tal do beijo-encaixe-perfeito decidiu se eternizar no tempo e no espaço, se transformando nessa despretensiosa crônica, que, na verdade, nada mais é do que nosso lindo, intenso e demorado beijo.

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