CULTURA

Estátuas da Igreja do Rosário dos Pretos não são tombadas pelo IPHAN, informa instituto

O Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (IPHAN) respondeu à agência Saiba Mais sobre a remoção das estátuas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, afirmando que as imagens não fazem parte do patrimônio tombado.

Segundo o órgão, as esculturas são elementos móveis que foram colocados no pátio da igreja em momento posterior ao tombamento do Centro Histórico de Natal, em 2010. Dessa forma, somente a igreja integra a poligonal de tombamento.

Desde o início da semana, uma foto com as estátuas dos pretos do Rosário, como são conhecidas as imagens, repercutiu nas redes sociais. Isso porque, as esculturas aparecem estendidas no piso, na parte externa do templo, e algumas sem a cabeça e com vários danos aparentes.

Imagem que circula nas redes sociais mostra estátuas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos decapitadas e expostas ao ar livre.

Em contato com a reportagem, a Arquidiocese de Natal respondeu ontem que as estruturas foram retiradas da entrada e deitadas no chão propositalmente, pois o suporte das estátuas apresentava fixação inadequada e oferecia risco de desmoronar sobre os fiéis que frequentam a igreja.

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O Padre Valdir citou que a decisão ocorreu após uma das imagens desabar sobre outra enquanto uma criança brincava no pátio. O pároco também informou que ainda ontem as esculturas foram retiradas do pátio e guardadas em um local protegido, onde devem aguardar alguma restauração.

O IPHAN reiterou que a responsabilidade sobre a manutenção do templo é da Arquidiocese, mas qualquer intervenção na igreja tombada precisa passar por autorização do Instituto. O órgão disse ter enviado equipe ao local, ainda nesta terça, para verificar se houve algum dano à estrutura que integra o patrimônio histórico, o que não foi constatado.

Além de estar na lista de monumentos e espaços público tombados pelo IPHAN, a Igreja do Rosário também é tombada pela Fundação José Augusto desde 1987, pela importância cultural para o Rio Grande do Norte. O lugar é a segunda igreja mais antiga da capital, e foi construída por pessoas escravizadas no início do século XVIII.

Segundo o relato histórico, a igreja atendia aos menos favorecidos, como pessoas escravizadas, negros que conseguiam liberdade e a população mais pobre. O templo ainda está numa localização privilegiada da cidade, com vista para o Rio Potengi.

Ao todo, seis estátuas compõem o conjunto de imagens que ficavam posicionadas na entrada da igreja. Nas redes sociais, usuários reclamam que a falta de manutenção das imagens representaria uma forma de racismo simbólico pela falta de proteção à história dos homens negros que construíram a igreja.

Saiba Mais: As estátuas decapitadas e o racismo simbólico

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