OPINIÃO

Vontade própria, só depois dos 18!

Nem acredito que neste 7 de setembro você completa 18 anos, muito menos que você sobreviveu sob meus cuidados, e uns descuidos necessários, durante todo esse tempo, a um ponto que não sei o que eu comemoro primeiro: sua maioridade ou sua sobrevivência! Especialmente num momento da história em que sobreviver já é motivo suficiente para intensa comemoração da vida, e até considerado um privilégio, visto que, só no Brasil, milhares de pessoas não tiveram a mesma sorte.

E não é fácil te ver crescer doendo assim pela ausência da possibilidade de fechar um ciclo tão importante como esse da forma usual que todo adolescente, antes desses doidos novos anos 20 pandêmicos, teve a oportunidade de fazê-lo: se divertindo em bando, aglomerados e loucos, como deveria ser.

É até irônico lembrar da frase que sempre te dizia esses anos todos, quando me desafiava com sua personalidade forte e eu, sem resposta que valesse, arrumei essa desculpa para não ter que me dobrar às suas insistências: vontade própria, só depois dos 18! E agora que você completa essa idade, sequer pode exercer sua vontade mais simples e autêntica, que é estar com seus amigos e suas amigas.

Me consola a primeira dose da Pfizer que você tomou outro dia, enquanto eu tentava conter a emoção de vacinar minha filha em tempos tão duros. Mas me dói também saber que ela não significa o fim do contágio ou a volta ao normal, que não sabemos quando virá novamente de verdade.

Ainda assim, não quero que esse dia seja marcado pelo que você não vai conseguir viver agora, mas sim pela força de sobreviver a esse momento, que ela te preencha da certeza de que faz parte de uma geração única, capaz de superar e aprender tanto, que nada te derruba.

E saiba ainda, meu amor, que as vontades acumuladas nesse tempo de reclusão que todos foram obrigados a viver hão de se transformar em grandes realizações futuras, por você e pelas milhares de pessoas que não tiveram a mesma sorte, e que agora vivem através de todos que carregam em si essa dor de não terem concluído ciclos como deveriam, existindo plenamente num mundo livre de máscaras, de alcool em gel e, principalmente, de distanciamento social.

Enquanto isso, não se cobre demais. Apenas viva e aprenda, porque em breve você será tudo que quer e que merece ser; ainda mais incrível, se é que é possível, do que a pessoa que você já é!

 

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