OPINIÃO

​Lulalckmin 2022: Brilha uma estrela e um chuchu! ​​

​Há alguns meses fala-se em uma possível aliança entre Lula e o ​​o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (que saiu do PSDB recentemente) com o segundo como companheiro de chapa do primeiro. No domingo passado em um animado jantar em São Paulo, aconteceu o primeiro encontro público dos ex-adversários (disputaram a presidência em 2006) com ampla divulgação de fotos e repercussão na mídia.

A possibilidade da chapa Lula-Alckmin vem perturbando a Direita, vide as reações irritadas do ex-juiz e atual pré-candidato à presidência Sérgio Moro e a estupefação de parte da imprensa, àquela do eixo Rio-São Paulo que tem uma paixão irresistível pelo tucanato e pelo Conje. Essas reações mostram que Lula, um gênio da articulação política, pode ter aplicado um xeque no xadrez político para a campanha de 2022.

Mas o fato é que a mera possibilidade da chapa já alcunhada de “Lulalkcmin” também perturba a Esquerda, ou pelo menos parte dela. É certo que Geraldo Alckmin fez sua exitosa carreira política mais próximo da Direita que do Centro, e que sempre se mostrou conservador e convencional, incluindo capítulos nada nobres na sua biografia como sua PM que batia sistematicamente em professores em protestos e no chamado “Escândalo da Merenda”.

Porém, também é verdade que Alckmin sempre se portou como um democrata e um homem politicamente discreto. Perdeu para Lula em 2006 de maneira sóbria, participando de debates pela tv na época em que os contendores se abraçavam antes e depois dele, e reconheceu a derrota desejando sucesso ao vencedor. Quando governador de São Paulo, não obstantes as baixezas relatadas no parágrafo anterior, jamais tentou retirar direitos de minorias ou colocou suas preferências religiosas (é católico conservador ligado a Opus Dei) nas pautas de Governo.

Em suma, na balança, Geraldo é um político tradicional, experiente, que aceita dialogar e trata de maneira civilizada os adversários (que não tem como inimigos). Parece pouco? Não. Em tempos de um despresidente fascista e da ascensão da Extra Direita no mundo inteiro, as características citadas são muita coisa. E, sim, credenciam Alckmin a compor uma chapa com Lula.

Afinal, todos nós havíamos reconhecido a necessidade de uma “Frente Ampla” para enfrentar Bolsonaro e tirar seu projeto autoritário do poder. E que Frente Ampla seria essa sem dialogar com democratas de partidos de Centro e mesmo de Direita? Onde estaria a Frente Ampla, a tal União em uma chapa Lula-Flávio Dino (que era do PC do B até meses atrás) ou Lula-Manoela Dávila?

Parte da militância de Esquerda, que parece ter um pé nos anos 1960 ou manter uma utopia de política ideal em vez de política possível, deveria entender que a prioridade é tirar Bolsonaro do poder. Ponto. O que vai acontecer depois, depois se avalia.

​Essa mesma militância também precisa afiar a memória. ​Não consta nos autos que José Alencar, o vice-presidente ungido por Lula e eleito e reeleito​ em 2022 e 2006 fosse de Esquerda, ou mesmo progressista. Era um mega empresário à moda antiga, cuja qualidade maior foi a lealdade. E que ajudou a dar a Lula respaldo entre a elite econômica e a mídia.

Papel que Geraldo Alckmin pode e deve cumprir na campanha de 2022 e, principalmente, a partir do governo em 2023.

Sabemos todos que o ex-tucano não tem mais tanto voto nem em São Paulo e que de tão insosso e sem carisma ganhou o apelido de “picolé de chuchu”, mas continua tendo trânsito entre o “deus mercado”. E que não me venham com infantilidades de militância de Guerra Fria. Sem a anuência do mercado não se governa, inclusive Lula o fez entre 2003 e 2010, tanto que em seu governo banqueiros e empreiteiros ganharam rios de dinheiro.

Enfim, declaro aqui meu voto e meu apoio total à chapa Lulalckmin. Que brilhe a estrela de Lula, como diz o conhecido jingle, e que o Chuchu cumpra seu papel. E que a aliança dos dois inclusive como chapa seja o início da reconstrução de um país onde adversários políticos não são inimigos e onde direitos não são sistematicamente destruídos e suprimidos. ​

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