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Desinformação: ministro Fábio Faria minimiza alta da inflação no Brasil de forma “esdrúxula”, dizem economistas

O ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, o potiguar Fábio Faria, mais uma vez propaga desinformação, ao minimizar a inflação do Brasil. Nas redes sociais, ele comparou a taxa de variação da inflação nacional com a dos Estados Unidos e da União Europeia, esquecendo que esses lugares tinham inflação próxima a zero, enquanto o país já acumulava altos índices, atingindo 10,74% em novembro deste ano. O teto estimado pelo Banco Central em 2021 era metade disso: de 5,25%.

“É descabido você dizer que os Estados Unidos com uma inflação de 4 a 5% é pior do que a nossa inflação de praticamente 11% em doze meses, sendo que a inflação para os mais pobres é muito maior. Basta você ver o preço da gasolina, do gás de cozinha, das carnes, dos alimentos. A inflação para a camada mais pobre é muito maior que 11%. Você dizer que a variação foi menor é para desinformar, para mostrar uma realidade que não é a que a gente vive no dia a dia, para dizer que o país não está tão mal, quando na verdade está”, explicou o economista Cassiano Trovão, doutor em Desenvolvimento Econômico e professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “É inadmissível, é a criação de uma realidade paralela”.

Cassiano chama atenção ainda para o contexto entre essas localidades. Tanto os norte-americanos quanto os países europeus têm renda média mais alta que a do Brasil, onde a desigualdade é maior.

Para o economista e também professor da UFRN Thales Penha a colocação do ministro está “fora do inteligível” e “esdrúxula” por não considerar os números absolutos.

O especialista também chama atenção para a postura do presidente do Banco Central, Campos Neto. “Lava as mãos”, ao continuar subindo juros, para tentar ganhar credibilidade. “Mostra que o governo não tem conseguido combater a inflação, não tem conseguido desatar o nó fiscal e nem está interessado nisso, haja vista aí a PEC dos Precatórios. Tentam mascarar a inflação com a criação desse tipo de retórica fantasiosa”, avaliou Thales Penha, que observa preocupação acerca dos números por parte do governo, mas incapacidade em oferecer resposta.

Expectativas baixas

O Boletim Focus, pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), com a expectativa das instituições para os principais indicadores econômicos, tem projetado crescimento de 0,5% no país, muito abaixo do que outros países apresentam, alerta Thales Penha.

“O mundo está crescendo em média 4%. Mostra que o Brasil não está tendo tração econômica. Ele se recuperou do tombo de 2020, por causa da pandemia, em que a economia paralisou. Então, claro que quando você sai desse lockdown meia boca que a gente fez há uma recuperação rápida, mas mostra que após essa retomada de nível, não apresenta trajetória de crescimento, está estagnado”.

O economista explica que a renda atual do brasileiro, em termos reais, é igual há 10 anos atrás, o que significa que a economia andou para trás, sem incorporar novos ganhos e com alta do desemprego.

“O crescimento fraco esperado para o próximo ano não será compatível para incorporar novas pessoas no mercado de trabalho. Com a inflação alta, a expectativa é de perda real da renda da população. A gente não tem conseguido recuperar a renda, que teve pico (per capita) em 2012. Em 2014 foi iniciado o ciclo de baixa.”, detalhou.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais