OPINIÃO

O triste Natal do país do Mandrião

Estamos fechando o ano de 2021 com a miséria e a fome na soleira da porta. Estamos falando de um dos maiores países do mundo. O maior da América Latina. O país da desigualdade estrutural que, é bom lembrar, vive empurrando os pobres cada vez mais para a situação da miséria absoluta, quando sua sobrevivência fica a mercê de políticas públicas, algo que o governo Bolsonaro considera como “coisa de comunista”.

E quando nos debruçamos, a situação se complica. Numa população total de 3,5 milhões de almas, 2 milhões (57,1%) está fora da força de trabalho. E dos que estão na força de trabalho, 221 estão desocupadas (14,7% da força de trabalho), ou seja, de cada grupo de 100 potiguares, apenas 37 estão no mercado de trabalho.

Lembrando que, segundo o IBGE (2018) no RN cerca de 325 mil pessoas têm idade acima de 65 anos (9,3% da população total), o que exige uma atenção do Setor Público já que, pelo perfil da distribuição da renda local, nesse contingente há milhares de pobres e desassistidos. Com a pandemia obviamente que esse segmento da população ficou mais vulnerável.

Mas os percentuais mostram uma realidade mais dura. Se considerarmos o alto grau de volatilidade do emprego numa atmosfera de crise econômica, podemos, com uma certa certeza, afirmar que apenas 20,5% da força de trabalho tem uma certa estabilidade no emprego, ou seja, apenas 308 mil potiguares estão atravessando esse grave momento da história brasileira com uma certa certeza de que vai ter o que comer no dia seguinte e terá um rendimento a receber no final do mês.

Há uma certa recuperação no número de empregos e evidentemente isso trás um pequeno aumento da massa salarial, mas é bom relativizar esse processo, mesmo que o governo do RN tenha tido a capacidade de, em meio ao caos, de fazer ações proativas. Por mais que o governo local se esforce para socorrer os mais pobres, a destruição causada pelo governo do Mandrião produziu e produz, efeitos devastadores no tecido social, expondo, novamente a luta de classe no seu sentido mais triste: pobres e miseráveis aos milhares, e poucos que se locupletaram dessa tragédia humana e social.

Em locais onde há um visível retardo nas suas estruturas econômicas, como é o caso do RN, os efeitos de um governo que tem como premissa básica a destruição das bases econômicas de uma nação para transformá-lo num atrativo espaço de investimento estrangeiro, são mais sentidos e a população mais pobre se torna a principal vítima.

A esperança dos milhares de potiguares que estão em situação de risco social é a de que tenhamos, já em dezembro de 2023, a retomada da esperança. Mas para que a esperança volte para dentro dos lares dos potiguares pobres, muita coisa ainda vai acontecer e a esperança, nesse caso, não surge e nem é fortuito. Será fruto de um processo.

Que o Natal de 2023 seja melhor do que este, mas que neste Natal, com todo o sofrimento e incertezas para um futuro próximo, que as famílias consigam se abraçar e reunir forças para enfrentar os dias duros que virão.

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo