OPINIÃO

Um (des)presidente de férias

Nada que venha do despresidente Bolsonaro nos surpreende. Mas, sempre podemos nos chocar com as bizarrices de seu cotidiano como não-gestor. Li no noticiário nesta segunda à noite que impedido por problemas no avião de ir ao Paraguai inaugurar uma obra na fronteira, Jair parou em Campo Grande, capital de Mato Grosso. Lá, comeu pastel, tomou tubaína e jogou na Mega-Sena em uma lotérica. Tudo fartamente documentado em vídeos e fotos.

Anteontem, também lemos que Bolsonaro postou foto em parada de ônibus, como se estivesse esperando para pegar o veículo, na Praia do Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Semana passada vimos o Messias ficar uma hora na Via Dutra acenando para os motoristas que passavam em alta velocidade.

Durante todo o ano acompanhamos também as “Motociatas”​, quando o “mito” se reunia com outros homens frustrados para passear de moto pela cidade, atrapalhando trânsito, comprometendo o aparato de segurança e gastando o dinheiro público.​

​Isso tudo fora os momentos comendo ​picanha, ​passeando de ​jet ski, ​indo à ​praia​, flanando por Brasilia. ​Não é preciso muito ​para perceber que o despresidente Jair Bolsonaro ​está de férias​. Desde que tomou posse, na verdade.

Não é que presidentes não possam ter momentos de lazer. Podem e devem. São famosas as imagens de Lula jogando futebol ou na praia com isopor cheio de latas de cervejas. Também lembramos de FHC no seu apartamento em Paris. De Itamar Franco se esbaldando no carnaval com a modelo sem calcinha. Enfim, descanso é necessário e todos (gestores idem) merecem.

Mas desacansa-se após cumprir agenda de trabalho. Não é o caso de Bolsonaro. Suas férias e momentos de lazer acontecem às segundas, terças, quartas, quintas e sextas, além dos finais de semana. A mídia já produziu diversas reportagens sobre a agenda de Jair. Em alguns dias, 2 horas de agenda com eventos oficiais, outros dias 4 horas. Às vezes a agenda se limita a um evento. Enfim, sabemos todos que Jair não gosta de trabalhar. ​

​E n​ão é que falte trabalho. Um país de 220 milhões de pessoas com​ imensos problemas; crise econômica, fome e inflação de volta, desemprego, pandemia com uma nova variante. Não faltaria trabalho se um presidente quisesse trabalhar dez, quinze, 24h por dia.

​Mas n​a verdade, Bolsonaro mantém a coerência e o ritmo. Na Câmara Federal​, ​nos 24 ​anos como deputado, pouco trabalho. Limitou-se mandato após mandato a causar polêmica e criar factóides gritando aqui e acolá seu amor á Ditadura Militar e seus preconceitos contra negros, LGBTs, mulheres. ​​

Para amigos jornalistas, o “mito” joga para a platéia. Contudo, essa “platéia”, digamos, parece estar cada vez menor​. A cada pesquisa divulgada a rejeição a ele aumenta e a intenção de voto mingua. Em algumas pesquisas, Lula, seu principal oponente, ganharia no primeiro turno.

Sinal que parte da população percebe que Bolsonaro não trabalha. Não gosta de trabalhar. Não se trata de ser Direita ou Esquerda. Conservador ou progressista. Trata-se de não querer governar. De preguiça para gerir um país. Hoje sabemos que Bolsonaro não tem condições de ser síndico de um condomínio. Porque ele foi eleito é outra história, já supra registrada e que ensejaria outros textos. O fato é que Jair não trabalha. Está de férias e assim continuará, até o último dia do seu mandato. Tudo indica que a partir de janeiro de 2023 terá ainda mais tempo para se dedicar ao que mais gosta: Não trabalhar. Bem longe da cadeira presidencial.

Que assim seja.​

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo