OPINIÃO

Agora fudeu: conheci o Egeu de Salvador

Ele me disse que eu trouxe leveza e energia boa pro lugar, mas na verdade foi uma troca. Passei na frente umas três vezes, e senti que precisava entrar lá. Salvador tem sempre dessas surpresas boas, para as quais somos atraídos, e não temos o direito de recusar ao chamado. Atendi, mesmo quase perto da hora da minha viagem de volta pra Brasília. Comecei a descer a ladeira da Barra com destino certo: Egeu, não o mar, mas o restaurante, que é de frente pro mar, claro, mas a vista deve ser mais bela, embora eu não conheça o mar Egeu, ainda.

Lá chegando, fui muito bem recebida, por uma moça que, peço desculpas, não me lembro o nome, mas deveria, porque me garantiu que tudo correria bem, que eu conseguiria almoçar em uma hora, e ela não mentiu, mesmo que eu quisesse que tudo demorasse bem mais do que uma hora. Foi rápida assim minha passagem pelo Egeu, mas foi fenomenal, porque de verdade e necessária mesmo.

Mais do que tudo, eu acho que eu precisava mesmo era conhecer o Vivaldo, acho que gerente ou maitre de lá, me perdoe amigo por não saber seu cargo, mas prefiro te classificar como dono da porra toda, ainda que não o seja agora (mas quem sabe um dia?). Você foi o motivo de eu classificar agora o Egeu como a melhor experiência gastronômica das galáxias da minha vida, e não apenas gastronômica, como humana.

Quando disse do meu desejo de polvo, e te pedi com isso uma sugestão, você abriu um sorriso como se me entendesse desde sempre e admirasse a escolha diferente do usual. Mas tu não me trouxe um polvo qualquer. Foi um polvo que, a cada garfada, me levava aos céus, não somente pelo ponto maravilhoso, mas também pelo casamento ideal com um risoto dos deuses, de brie, damasco e pêra, né? Acho que era isso. Claro que não era só isso. Era muito além de qualquer descrição válida aqui.

Foi impossível conter a emoção e minha reação foi sorrir com os olhos para todos os lados, porque não sabia a quem agradecer, mas certamente todos mereciam essa recompensa por tanto amor envolvido naquela comida, que não era formada só de ingredientes maravilhosos, mas da certeza que, do pedido à mesa, cada segundo levou tanta vontade que o resultado não poderia ser diferente do que esse encontro de almas.

E nesse momento, eu preciso repetir aqui o que lhe disse pessoalmente e que pedi pra repassar ao chef ou à chef, que infelizmente não puderam escutar tais elogios construídos na base da total falta de filtro que tenho (não faço ideia de quem sejam ou de quem seja, mas certamente é alguém que entende esse encontro de almas, né?): puta que pariu! Caralho! Vá tomar no cú, de tão gostoso! – me perdoe também os palavrões, mas quando faltam palavras pra descrever a sensação, só nos restam os palavrões ou os neologismos.

Se fosse pra usar neologismo, eu criaria aqui um: fugeu – mistura de fudeu com egeu. Porque agora, fudeu, realmente, já que vocês elevaram enormemente qualquer nivel da minha relação com a comida. Finalmente, então, eu sei porque não moro em Salvador, afinal, não teria como resistir às tentações diárias que a cidade oferece.

Fato é que foi muito dificil me desvencilhar do polvo, que me motivou a exaltar em voz alta, espontaneamente, e de forma irresistível, cada qualidade dele. E o fiz com todos os palavrões lindos que gostaria de ter mencionado pessoalmente para quem fez a comida, porque essa pessoa certamente estava conectada ao meu amigo Vivaldo, que indicou, sem hesitar, esse prato. Por isso também, registrei, ainda em tempo, uma foto nossa, na varanda do lugar, para espalhar poesia em todos os cantos onde já havia.

E sim, o prato chegou em meia hora, eu comi em 15 minutos, e comi tudo, mesmo que em grande quantidade, porque não era normal não: era dos deuses, mesmo! Depois disso, ou durante o processo de êxtase, pude agradecer veementemente pessoalmente ao Vivaldo, cujo nome significa: guerreiro ousado ou guerreiro corajoso. Enviei nossa foto pra ele, e ele me respondeu com áudios que nem mereço, me dizendo, entre outras coisas, que eu tinha um brilho qualquer que combinava certinho com aquele lugar.

Pois amigo, conte comigo nessa luta, para espalhar brilho e alegria por todo o ano de 2022, seja em Salvador, no Egeu, ou no pais inteiro, e anote meu nome como a mais nova amiga de infância da sua vida. Porque volto em breve, e pra começar minha próxima viagem a Salvador, chego pelo Egeu, certamente!

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