CIDADANIA

Famílias com crianças que tiveram covid aguardam ansiosas por vacinação infantil

“Foi bem tenso saber que elas pegaram covid e não estavam vacinadas”, conta a jornalista Sharmenne Machado, mãe de três meninas. Todas, junto com ela e o marido, Daniel Rizzi, adoeceram no início de dezembro de 2021, pouco antes da Anvisa aprovar a vacinação em crianças no Brasil, mas ainda distante de poderem receber a primeira dose, já que o governo Bolsonaro atrasou por semanas essa decisão.

A validação da Agência permite que a vacina seja usada no país para a faixa etária de 5 a 11 anos. A chegada do imunizante aos postos depende do calendário e da logística do Programa Nacional de Imunizações. Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, as vacinas infantis chegam ao Brasil na segunda quinzena de janeiro.

Somente a quarta-feira (5), data limite imposta pelo STF, o governo anunciou a inclusão das crianças no plano de operacionalização de vacinação contra a covid-19. Antes disso, Queiroga e o Bolsonaro trataram de fazer uma campanha informal contra a imunização, colocando em dúvida a emergência e a segurança do produto. Enquanto isso, famílias, como a de Sharmenne, esperam ansiosas para proteger seus filhos.

“Pra variar, o governo mais atrapalha que ajuda. Acho que se foi aprovado, está tudo autorizado, deveria liberar logo. Quem se sentir à vontade, vacina suas crianças”, lamentou a demora. “Eu já tô com a roupa de ir”, brincou, ao lembrar que chegou a inscrever as meninas em uma pesquisa de vacinas, mas o instituto não chamou para os testes.

Aysha, de 1 ano e 11 meses, Shaya, de 7 anos, e Sophia, com 10 anos, tiveram alguns sintomas diferentes entre elas, mas todas reclamam muito de dor de cabeça e a caçula chegou a ter seis dias de febre.
“Shaya foi a primeira a apresentar sintoma, mas achamos que tinha sido só uma sinusite, que durou 3 dias. Logo depois Daniel adoeceu, fez o teste e deu positivo. Depois Sophia, Aysha e eu. A doença em si deixa a gente bem estressado, por não saber como ela vai evoluir. A gente fica meio paranoico com cada sintoma. E filho doente é mil vezes pior”, contou.

Sendo Shaya a primeira a adoecer, eles acreditam que a pequena levou o vírus para casa da escola. A professora dela também ficou doente e as aulas foram suspensas pelo período de recuperação de todos.
Os adultos, com duas doses da vacina, tiveram sintomas leves. Além das crianças, Daniel também inspirava mais preocupação, já que tem diabetes, considerada comorbidade para a doença. Mas a vacinação lhe garantiu boa recuperação. “Ele sentiu muita moleza, um quadro de sinusite e tosse”.

A professora Elimonica Pessoa Dantas, que mora no município de Venha-Ver, também adoeceu junto com o marido, Francisco Eugênio, e as duas filhas, Larisse e Laysse, de 14 e 3 anos de idade, passando por momentos de muita apreensão.

“A cada dia ficava mais difícil, pois imaginava se poderia piorar, quais seriam os próximos sintomas. Uma coisa muito interessante é que mesmo eu não estando no grupo de risco tive os sintomas fortes da doença. Isso era o que mais assustava”, disse ela.

Na casa de Elimonica ninguém está na faixa que aguarda a vacinação. Ela, o marido e a primogênita já se vacinaram. Quando adoeceram, em junho passado, apenas o companheiro havia tomado a primeira dose.

A filha menor ainda não vai poder tomar a vacina, porque os testes foram em crianças de até 5 anos, mesmo assim, a mãe fala sobre a importância da imunização: “Será uma forma de prevenção. Acredito na segurança da vacina, uma vez que cientistas de todo o mundo estão dedicados a essa pesquisa há quase dois anos”.

Quem pensa da mesma forma é a cientista social Andrezza Lima: “A vacina, inegavelmente, salva vidas. Já o negacionismo restringe o pensamento. As polêmicas geradas pelo governo federal são estratégias para pulverizar inverdades e levantar dúvidas sobre uma questão já consolidada cientificamente”.

O enteado de Andrezza, Gabriel, de 11 anos, teve covid aos 10, em dezembro de 2020, quando a vacinação ainda era aguardada por todos os brasileiros. A recuperação foi na casa da mãe. Somente 15 dias depois o garoto pôde rever a madrasta e o pai, Rodrigo Semente, tendo cancelado o Réveillon que passariam juntos em casa.

“Ficamos muito preocupados, principalmente porque ainda não havia vacina pra ninguém”, lembrou ela. A demora para vacinar as crianças tem deixado toda a família ansiosa, até Gabriel. “Já conversamos que assim que possível vamos levá-lo para tomar a vacina. Ele não está com medo, está ansioso pra tomar a primeira dose”, contou.

 

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais