CIDADANIA

Negacionistas ocupam praia de Ponta Negra com desinformação contra vacinas infantis

O movimento antivacina continua a fazer campanha de desinformação. Na manhã deste sábado (15), enquanto as primeiras crianças se vacinavam contra a covid-19 no Rio Grande do Norte, um grupo de pessoas criou o “Cemitério Pós-Vacina”, fincando placas na areia da praia de Ponta Negra, em Natal.

A cruzes tinham fotos e dados de pessoas que supostamente morreram após receber o imunizante na Tailândia, Nova Zelândia, Inglaterra e Argentina, por exemplo. É falso que vacinas contra a covid causaram mortes.

A Agência Saiba Mais procurou a a Polícia Militar do RN, que informou não terem sido acionados para intervir na manifestação.

A Anvisa liberou a vacina da Pfizer para crianças entre 5 e 11 anos em 16 de dezembro de 2021. O governo federal e o Ministério da Saúde só incluíram as crianças no Plano Nacional de Imunização (PNI) no dia 4 de janeiro, tendo enviado as primeiras doses na sexta-fera (14).

De acordo com página de tirar dúvidas do Instituto Butantan, essa fake news sobre “infanticídio” vem sendo espalhada inclusive por autoridades: “Qualquer vacina possui efeitos adversos, que podem ser mais ou menos graves, mas todas as vacinas passaram por rigorosos testes e se mostraram eficazes e seguras. Nos ensaios clínicos de fase 3 da CoronaVac, por exemplo, não foi registrada nenhuma morte em decorrência da vacina. O que sim, mata, é ficar sem se vacinar, e nesse caso quem causa a morte é a doença. Desde o início das campanhas de imunização, o número de óbitos caiu substancialmente não só no Brasil como no resto do mundo”.

Deputado Girão mente em sobre vacinas

O deputado federal General Girão (PSL) marcou presença e publicou um vídeo em suas redes sociais mostrando desconhecimento científico e jurídico. Segundo ele, as vacinas são muito recentes e oferecem riscos, ignorando que as vacinas passam por rigorosas pesquisas e testes e são oferecidas à população com segurança.

“Querem obrigar as crianças a serem vacinadas. Deixem a vacina como liberdade. E um recado para a governadora: a senhora está obrigando os servidores a se vacinarem. Isso tá errado, governadora, isso é inconstitucional. Isso vai ser cobrado na Justiça, hein”.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou sobre a obrigatoriedade da vacinação: é constitucional.

Em dezembro de 2020, foram analisadas, em conjunto, duas ações diretas de inconstitucionalidade que tratavam do tema, além de um recurso extraordinário. Prevaleceram os entendimentos dos relatores, ministros Ricardo Lewandowski e Luís Roberto Barroso, respectivamente.

A saúde coletiva, segundo Lewandowski em seu voto, “não pode ser prejudicada por pessoas que deliberadamente se recusam a ser vacinadas”. Barroso foi no mesmo sentido, afirmando que o direito à saúde coletiva, particularmente das crianças e dos adolescentes, deve prevalecer sobre a liberdade de consciência e de convicção filosófica.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais