OPINIÃO

Caiu a ficha!​

O lançamento oficial da pré-candidatura da chapa Lula/Alckmin no sábado passado, dia 7, foi didático em muitos aspectos. Primeiro pela semiótica: uma bandeira do Brasil no palco, de maneira a aparecer como fundo da programação e, principalmente, do discurso de Lula. Mais do que na hora de “resgatar” as cores e a própria bandeira da posse da extrema-direita. Em segundo lugar, pelo próprio discurso do ex-presidente: inclusivo, amoroso, mas sem esquecer dos recados ao mercado, ao centro, aos diferentes.

Mas, me chamou a atenção o que parece ser uma tônica de Lula e da cúpula do PT, assim como dos partidos e líderes progressistas e que está, aos poucos, em efeito dominó, chegando à militância. Enfim ´caiu a ficha` de que é necessário esquecer o despresidente e seus eleitores radicais e focar no que interessa: fazer campanha, parar de problematizar e dialogar com os indecisos, céticos ou os que pretendem não votar.

A esquerda perdeu muito tempo enfatizando os defeitos do despresidente: genocida, homofóbico, misógino, machista, racista, tosco, truculento, ignorante. Cada vez que “denunciamos” aquela criatura, na verdade, fizemos o jogo dele, ou, para ser mais exato, fazíamos a campanha dele. Ora, afinal, quantos de nossos parentes, amigos, vizinhos não votaram na criatura justamente por ele ser tudo aquilo que citei?​ Já se disse, ou se percebeu, que ele não foi eleito apesar dos defeitos dele, mas sim, por causa desses defeitos.

Mas, claro, não temos no Brasil 57 milhões de fascistas (número da votação do despresidente no segundo turno). Muita gente votou no que parecia “diferente”, inebriada com a “não política” e um antipetismo forçado pela mídia com Lula preso e Dilma tendo sofrido um golpe. Hoje, a história é outra. O chamado eleitor pendular, aquele que migra de um lado para outro sem se prender a ideologias (cerca de 30% do eleitorado) está mais preocupado com a falta de carne na mesa e o preço do gás de cozinha. E é sobre isso que Lula e a militância devem falar a esta parcela da população.

A bem sucedida campanha para os jovens de 16 e 17 anos tirarem o título de eleitor (considerando que a tendência é votarem em uma candidatura progressista)  foi didática neste sentido. Papo reto, dialogar com o público alvo de maneira objetiva. Pararmos de listar as bizarrices do ocupante da presidência e citarmos as conquistas dos governos Lula. Enfatizar não o cheque na conta da Michelle, e sim que o preço absurdo da cesta básica. Esquecer o Queiroz e falar do preço do combustível.

Caiu a ficha que podemos deixar as pautas identitárias e as diferenças programáticas para 2023, após a posse de Lula. O momento é de combater o fascismo e o desmonte do país e das instituições. A hora é de engolir – com paixão ou a contragosto – Lula com Chuchu. O resto a gente vê depois ​

 

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo