OPINIÃO

O “canalhistão” : um país dentro do BraZil

Saber que generais tiveram sua renda aumentada de maneira escandalosa devido a uma manobra do presidente da república, talvez explique o apego destes ao golpismo via emparedamento do TSE. Saber que o Ministério da Educação virou um balcão de negócios, organizadas por pastores fundamentalistas, que distribuem dinheiro de um fundo constitucional para as prefeituras construírem templos, mostra a forma canalha de como se lida, nesse momento, com a Educação desse país. Saber que apenas em 2021, o tal “orçamento secreto” teve recursos de R$ 2,4 bilhões, que são maiores que a soma dos recursos dos ministérios das Relações Exteriores, Turismo, Meio Ambiente, Controladoria-Geral da União, Advocacia-Geral da União e Mulher, Família e Direitos Humanos, mostra a deterioração explícita dos princípios republicanos, instalada por esse governo.

Estamos a poucos meses de uma eleição emblemática, pois coloca dois caminhos para essa debilitada nação: ou aprofundamos a miséria, o desemprego e a roubalheira descontrolada, ou simplesmente reinventamos o BraZil. São duas vias bem claras e o eleitor terá que se decidir se quer um governo autoritário-ditatorial ou a retomada da democracia.  Temos um presidente que insufla a “guerra civil”, com a defesa de distribuição de armas para que a população se defenda de “ditadores”, o que sugere que o Mandrião, nos seus delírios, esquece que a imensa maioria de trabalhadores, armada, se insurgiria contra ele, candidato permanente a ditador.

Enquanto o país ainda amarga os efeitos da COVID-19, que já deixou mais de 665 mil mortos, sem falar nos sequelados, que “sumiu” dos noticiários, embora a média diária de mortes se aproxime dos 100, o que significa que a cada 10 dias, 1.000 pessoas ainda morram dessa praga, temos um governo que ignora os efeitos deletérios dela. A pandemia destroçou vidas e devastou a economia do país e o governo simplesmente lavou as mãos. O presidente optou e opta por culpar o STF, os governadores, petistas e demônios comunistas, por suas diatribes criminosas e essa opção tornou esse país um imenso cemitério.

A forma como o governo conduziu a construção de uma “não política econômica”, talvez um “feito” inédito na história moderna dos países mais desenvolvidos, gerou uma enorme massa de famélicos, despossuídos e desesperados e o que o presidente faz? Chafurda.  O país é vítima de um projeto autoritário, regido por incompetentes e acompanhada por parlamentares negocistas.

Esse presidente, que, segundo alguns especialistas afirmam ser paranoico, não tem e nunca teve a mínima condição de ser gestor, e tivemos que sofrer esse período para provar o que quase três décadas de “atuação” política demonstraram. Bolsonaro é a nossa tragédia contemporânea. É a nossa desgraça civilizatória. É uma espécie de castigo por nossa tacanha formação cidadã. É um ode ao ogro cheio de testosterona e de energéticos, ao marginal fascista que saiu do esgoto e prega sua visão deformada de sociedade.

O “canalhistão”, um governo regido pelo comportamento criminoso já demonstrado inúmeras vezes pelas ações dos ministros e do próprio presidente, incluindo seus agregados mais próximos, pode ter sua data marcada para o final em 1° de janeiro de 2023 e, a partir dessa data poderemos reconstruir esse país.

Mas será, sem dúvida, uma reconstrução longa e dolorosa.

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