TRANSPARÊNCIA

Professor da UFRN analisa pesquisa eleitoral: “Alienação eleitoral e voto útil do eleitor de Ciro podem dar vitória a Lula no 1º turno”

Uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 12, apontou o ex-presidente e pré-candidato Lula (PT) liderando com 46% de intenções de voto e possibilidade de vitória em 1º turno, com o presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, com 29% e os demais candidatos com votações abaixo de dois dígitos. A soma dos votos de todos os candidatos não chega aos 46% atingidos por Lula. Para analisar esse cenário e o impacto que terá nas eleições no Rio Grande do Norte, a reportagem da Agência Saiba Mais ouviu o professor da UFRN e cientista político João Emanuel Evangelista, que opinou sobre a pesquisa.

“Há um fenômeno que em geral é negligenciado quando se analisa as projeções das pesquisas eleitorais, que é o da alienação eleitoral. Por este conceito os cientistas políticos compreendem que se trata da soma das abstenções, e eleitores que pretendem votar nulo ou em branco. Apesar do voto obrigatório no Brasil, a alienação é muito alta, chegando a 30%. Quando se analisa a eleição de 2018, vemos que 147 milhões de eleitores estavam aptos a votar e no segundo turno da eleição presidencial os votos válidos foram 104 milhões, significa que 43 milhões de eleitores não compareceram ou optaram pelo voto branco ou nulo, ou seja, 28% de alienação eleitoral. Quando analisamos a votação de Bolsonaro, ele teve 57 milhões de votos no segundo turno, 39% do total de eleitores aptos a votar, nem chegou a 40% do eleitorado”, explicou.

“Na realidade deste comportamento eleitoral consideramos  razoável que Lula possa ganhar no primeiro turno. É uma hipótese que vai se confirmar em função da campanha eleitoral. Pela pesquisa Genial/Quaest Lula tem 46%. Se a campanha for marcada pela abstenção, como em 2018, e pelo esvaziamento do eleitorado de Ciro Gomes e este pratique o voto útil, isso pode dar a vitória a Lula ainda no primeiro turno”, assinalou.

Perguntado sobre qual o impacto da disputa presidencial nas eleições estaduais e legislativas, João Emanuel disse que “como em 2018 tivemos uma onda Bolsonaro, que repercutiu nos estados, colaborando para eleição de parlamentares desconhecidos e mal preparados, muitos de extrema direita que pioraram a composição do Congresso, é factível que eleições de 2022, uma nova onda Lula poderá provocar impacto na composição das bancadas legislativas tanto federal quanto estadual. Mas é preciso ver esse cenário com atenção, pois o  problema das eleições legislativas é o poder econômico. Observamos que o Haddad ganhou as eleições no Rio Grande do Norte, assim como Fátima foi eleita governadora, e mesmo assim o PT só fez um deputado federal. Em 2014 Dilma venceu no RN com 60% dos votos e o PT não fez deputados federais, embora tenha eleito Fátima senadora. Há um descompasso entre eleição majoritária nacional e deputados estaduais e federais”, observou.

A PESQUISA

A pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula com 46%, das intenções de voto, mais do que as dos demais pré-candidatos somados (44%) e, por isso, há a possibilidade de vitória em primeiro turno. No entanto, por conta da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, a pesquisa aponta a chance de a disputa ir para o segundo turno. Depois de Lula e Bolsonaro, aparecem Ciro Gomes (PDT), com 7%; João Doria (PSDB), com 3%; e André Janones (Avante), com 3%. Considerando a margem de erro, Ciro, Doria e Janones estão tecnicamente empatados. Simone Tebet (MDB) e Felipe D’Ávila (Novo) aparecem cada um com 1%, resultando em empate técnico com Doria e Janones. Luciano Bivar (União Brasil) não pontuou.

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas de 27 estados, face a face, entre os dias 5 a 8 de maio. O índice de confiança, segundo o instituto, é de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial e registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-01603/2022.

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