OPINIÃO

Que mídia é essa ?

A mídia brasileira ganhou ares de feira livre. O advento do que inicialmente se chamou de blogosfera, transformou a notícia num dos maiores e mais lucrativos balcões de negócio da nossa história contemporânea. Não que essa prática não exista desde o surgimento do primeiro jornal no Brasil, que nasceu como imprensa régia e só trazia notícias que interessava ao império e a corte.

Antes, o que era mais discreto, hoje ganhou ares de mercado aberto, sem falar que em muitos, mas muitos casos mesmo, a chantagem e o achaque dominam a cena.  Esse modelo abriu espaços para todo tipo de gente se travestir de jornalista e apregoar, a partir de um blogue de fundo de quintal, a sua importância em noticiar fatos, desconfigurar reputações e agir como verdadeiros pistoleiros de aluguel. Só que nesse caso, a arma é a informação.  Diga-se, a notícia falsa, a mentira.

Sem falar nas línguas de aluguel. Essas sempre existiram, mas de uns anos para cá, vêm ganhado cada vez mais espaços, principalmente no rádio, veículo de ampla penetração massiva e que tem aberto seus microfones para uma enxurrada de opiniões travestidas de jornalismo. E no dial de cada um, tem para todos os gostos.

A liberdade de expressão se transformou numa espécie de cortina para encobrir as mais diversas manifestações de ódio, intolerância, desejos antidemocráticos, destruição de reputações, achincalhe e tantas outras formas desonestas com o claro intuito de confundir e formar opiniões distorcidas, mas recheadas de interesses de grupos, prioritariamente ideológicos.

A mentira ganha ares de verdade sem a mínima preocupação com a responsabilidade social que deve sustentar a informação e é pilar de uma sociedade democrática livre. O que temos assistido no Brasil dos últimos anos é uma distorção geral da realidade, a partir de um presidente que, incapaz de conduzir o País de forma a sanar os seus grandes e graves problemas estruturais, se utiliza do estratagema de criar factóides quase diários para tirar de si a responsabilidade e transferir para os outros, principalmente para a população que sempre acaba pagando o preço mais alto por tantos desatinos.

E nessa onda de disseminação entra parte da mídia, cujos próprios agentes condenam, como se a essa fosse um ser etéreo, que age por si próprio e não é manipulada. Grande balela que faz parte do modus operandi implementado atualmente em boa parte dos veículos de comunicação por ai a fora.

Chega a ser hilário a defesa intransigente que muitos comunicadores fazem na defesa de suas opiniões artificiosas. Tudo para agradar aos interesses de seus patrocinadores, normalmente políticos e empresários que por não terem a coragem de se expor publicamente, se utilizam de figuras com espaços privilegiados para difundirem suas mazelas. O velho e despretensioso jabá há muito perdeu espaço. Hoje a sacanagem é escancarada mesmo. Só não sabe quem está no sofá ou do outro lado dial.

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