OPINIÃO

22 de maio de 2020: O dia em que o Brazil esteve à beira de um golpe de Estado

Em 31 de março de 1964, quando o general Olímpio Mourão Filho, um dos que inventaram o famigerado Plano Cohen, em 1937, que possibilitou o Golpe, em novembro e que tinha fortíssimas simpatias pelo fascismo, movimentou suas tropas aquarteladas em Minas Gerais, em direção à capital, então na cidade do Rio de Janeiro, começava um dos mais sinistros capítulos da história do país.

O Golpe de 1° de abril, apoiado pelos governadores de São Paulo, Adhemar de Barros, um dos próceres do populismo, e de Minas Gerais, Magalhães Pinto, notório conservador, foi, como está cruamente exposto no documentário “O Dia que Durou 21 Anos”, uma conspiração urdida na Casa Branca, e o país, caso os conspiradores não atingissem o objetivo, teria sido tomado a força pela VII Frota dos EUA, estacionada nas costas brasileiras, para dar suporte ao Golpe.

Esse mais do que necessário preâmbulo serve para que muitos de uma geração que jamais viram um país dominado por generais, muitos deles corruptos até a medula, e portanto não entendem o que se passou nesse país entre 1964 e 1985, compreendam o que foi exposto na Revista Piauí, edição de número 167, no artigo “Vou Intervir!”, escrito não por um comunista ensandecido, mas pela jornalista Monica Gugliano, que expôs as entranhas de uma TENTATIVA DE GOLPE, ocorrida em 22 de maio deste ano, urdida e dirigida pelo próprio presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

Em um país que estivesse em vigor a Democracia, haveria, pelo menos, um grande clamor contra essa conspiração palaciana, que tinha como motivação uma decisão de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que, na mente doentia e perigosa do presidente, ameaçava seu poder. Não ocorreu nada disso e os meios de comunicação, que conspiraram abertamente contra o segundo governo de Dilma Rousseff, preferiram o silêncio cúmplice. Haverá, é claro, negativas da parte de quem esteve a ponto de meter o país numa aventura golpista, digna de um republiqueta, mas que a tentativa de Golpe existiu e, se houvesse uma investigação séria, esse ser sombrio que hoje é presidente da República, seria retirado do poder e enfiado numa cela. Não será porque desde maio de 2016, não vivemos mais numa democracia.

Estavam presentes dois generais: o ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, e o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos; o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, chegou no meio da barafunda. O general Eduardo Ramos, amigão do presidente, concordou com o Golpe. Mais conspiradores chegaram à reunião: ministros André Mendonça (Justiça) e o general Fernando Azevedo (Defesa), além de José Levi, titular da Advocacia-Geral da União (AGU). Essas pessoas, cientes do que ocorria, podem ser acusados de prevaricação, pois todos estiveram diante de um crime contra a Constituição e nada fizeram e quando fizeram, foi para apoiar o golpe.

O BraZil esteve à beira da maior crise institucional desde 1964, pior, inclusive do que o Golpe parlamentar, articulado, agora se sabe, por elementos estrangeiros, mancomunados com os grande meios de comunicação, especialmente a Rede Globo e que utilizou fartamente os instrumentos jurídicos, com uma depravara aliança entre procuradores federais e um juiz medíocre, alçado à condição de pop star. Por algumas horas a espada da Ditadura esteve prestes a degolar o que resta de institucionalidade nesse país.

Coube ao general Heleno, um dos bufões militares erguidos nas cinzas de democracia, acalmar o esbaforido presidente, não por amor à democracia, mas pelo singelo fato de que não havia condições políticas e militares para a quartelada, e sua frase “não é o momento para isso”, revela que uma conspiração militar não esteve, não está e não estará descartada. As loas à democracia, feita por estes personagens, tem o mesmo valor de um risco na água.

Essa denúncia feita na Revista Piauí, não pode ser desconsiderada e nem colocada em segundo plano. Ela confirma todas as expectativas sobre o caráter deformado desse presidente, que despreza claramente qualquer instituição, baseado no seu histórico e que preza a violência como forma de luta política e, portanto, prender os onze ministros do STF é normal e corriqueiro para ele.

Ah BraZil, pobre BraZil.

 

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