OPINIÃO

28 mortes no Morro: o que muda?

Por Dalchem Viana,  Sérgio Pinheiro, Jean Cledson e Pedro Neto

Na Favela o tráfico continuará, a violência também, a pobreza idem, a falta de dignidade, oportunidade, a ausência de políticas públicas, e o mesmo, o mesmo sistema de segurança que autoriza sem camisas matarem descamisados, e vice-versa, como coisas, como espólio de uma guerra inventada. Nas próximas linhas iremos direto aos pontos.

A repressão ao tráfico de drogas, armas e suas ramificações movimentam no Mundo cerca de 2 ( dois) trilhões de dólares, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), o que o torna num dos negócios mais rentáveis do planeta. Portanto, não deveria ter por mira imediata favelas guetos e cortiços.

O aliciamento de crianças e jovens para o tráfico é uma catástrofe.

Vinte e oito cadáveres não resolvem em nada a gravíssima problemática social.

É preciso inaugurar um sistema de segurança pública que tenha a inteligência por base e os direitos humanos por doutrina. Que receba o consentimento da sociedade, fundamentalmente dos menos favorecidos para a sua realização integrada: comunidades mais polícias.

É impossível fazer segurança pública, sem que a parte pobre da população seja respeitada e atendida de forma cidadã.

É imprescindível a adoção de uma macrossesurança pública que envolva diretamente a educação, saúde e a segurança propriamente dita. Até lá e, com essa guerra estúpida contra as drogas, haja cadáveres de todos os lados.

É oportuno lembrar, que no condomínio do presidente da república, “Vivendas da Barra”, foi feita a maior apreensão de fuzis do País, mas por lá nenhum disparo foi dado, e não por acaso.

Não é preciso inventar a roda, há operações da PF, PRF, Receita Federal, PC’s e PM’s que, com uso de inteligência, inclusive tática, resultaram em apreensões e prisões maiores, que ocorreram sem mortos.

Com essa estúpida guerra contra as drogas, haja cadáveres de todos os lados, além de outros resultados negativos, com ênfase sobre os pobres, causados pela proibição do comércio legal de drogas similares ou mais leves que o álcool, cigarro, fármacos e outras drogas legalizadas e regulamentadas. A proibição que alimenta o tráfico é a mesma que rouba vidas em troca de nada, nenhum resultado positivo. Uma verdadeira aberração legal, moral, ética, social, cultural e política.

A sensação de estar enxugando gelo tão relatada por policiais é verdadeira, porque de fato a “Segurança Pública” imposta no Brasil insiste em tratar problemas sociais como a pobreza e a desigualdade social e econômica, eliminando o pobre. Mas … Por que nada muda?

Dalchem Viana (bombeiro),  Sérgio Pinheiro (policial federa aposentado), Jean Cledson (policial militar e Pedro Neto (policial militar) são membros do Movimento de Policiais Antifascismo no Rio Grande do Norte

 

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