OPINIÃO

30 anos dos masters do ABC

A festa dos 30 anos da fundação do “Clube Master do ABC”, se é que posso chamar assim. O encontro se deu neste sábado (8), no campo de treino do ABC, na Vila Olímpica. Homenagens, reencontros, emoções e, claro, como não poderia deixar de ser, a pelada dos cinquentões-sessentões e da turma mais jovem. Um evento lindo, e vocês não vão acreditar, até ele, o famigerado Bicão apareceu, deu o ar de sua “desgraça”.
A intenção desse evento que se repete há dez anos foi homenagear os fundadores do time master do ABC – Alberi, Danilo Menezes, Artur e Tenente Bartolomeu (que não compareceu) e o nosso eterno Osvaldo Carneiro, Piaba, em memória. Medalhas, diplomas, brindes sorteados, feijoada, galinhada da turma do Agreste, capitaneada pelos impagáveis Julinho de Dona Edite e o Bodinho Tecy, tudo isso foi ofertado. Esse povo maravilhoso afoga a gente de rir, de felicidade e coisas positivas. Recebi o abraço e de velhos e novos amigos. Impagável.
Vou começar a falar desse encontro  pela bola rolando. Cheguei bem cedo, como não poderia ser diferente, levei meu companheiro Bora Porra, claro, o cara que tem tudo a ver com o ABC. Eu falei, a princípio, que não ia para jogar, fui de tênis, mas lá no fundo eu sabia que não seria diferente: quem é da bola não fica sem entrar em campo. Eu entrei. Ia de tênis, mas aí Zácone, cracaço de bola mossoroense, que não estava muito bem, insistiu, me emprestou sua chuteira. Solzão de lascar. Conversando, abraçando, conversando, nem me liguei no “sagrado” aquecimento. Primeira bola, dominei, girei para o lado oposto e…ai minha coluna! Deu um nó. Engoli a dor, a vontade de jogar um pouquinho foi mais forte, aguentei uns quinze minutos só para ter o prazer de tabelar, de novo, com Júnior Xavier, de sair jogando com De Leon e Edmar, de tentar fingir que ainda conseguiria tratar “ela” por você.
Sai a bola. Fim de jogo para mim. Muito mais gente chegando. A hora de abraçar todo mundo, de prestar homenagens e espero que minha memória não me traia. Começo pelo abraço em Júnior Xavier, uma categoria acima de amizade, que veio acompanhado dos queridos Zácone, Berg e Cepeta, e graças a eles ainda tive a alegria enorme de falar com meu querido baixinho Odilon, por telefone; assim como De Leon “Lindo Lindo”, meu querido Godescardo Saraiva Botelho, Julinho de Dona Edite, Rômulo e Álvaro essas figuras maravilhosas coordenadores de nosso master; Tenente Campos, nosso Toninho, Esmerino Anáilo, Joel Celestino, Luiz Antônio Barril, Winington, Tião, Sandoval; a presença meu rival dos tempos de infância, o querido Tinho; Carlos Mota, Marciano, Jailton, Jailson, Adalberto, meu goleiro querido Zezito, e  tinha mais Zito, Tico, Tiê, Joãozinho (nunca vou esquecer as inesquecíveis tabelas que fiz com o danadinho nos tempos de Goianinha, antes dele se tornar o “Xodó da Frasqueira”), Soares ‘Bulau’, Beto Platini, Cabral , Joelson, os “estrangeiros” Washington Lôbo, Silvinho e Vamberto; Souza de Currais Novos, Gelson Divino Guerreiro, sim, esse é sobrenome dele agora;  Dica, nosso sargento da PM, Nito, Sérgio Cabral,  que não chegou a tempo para o jogo. Edmilson Lima, presidente da Agap. E Jorge Humberto, ex-ABC, morando em Londrina, e que está organizando o jogo-festa da próxima semana em Alexandria. Sei que, infelizmente,  devo ter esquecido alguém, mas me perdoem.
Agora, claro, o registro desse povo responsável, talvez, pelo nosso amor pela bola, pela opção para vida de boleiro. Meus ídolos queridos, começando por Danilo Menezes Nuñes. Todas as vezes que vejo o gringo eu ganho o dia, sem falsidade; Alberi José Ferreira de Matos, acompanhado de “Reizinho” e da querida “Dona” Marluce, sua esposa; Encontrei quem eu não via há mais de 40 anos, acho, o zagueiro Tito, irmão de Ribeiro e Assis. Ele nem me conhecia, na verdade, foi embora de Natal para jogar em São Paulo, antes da minha entrada no Força e Luz onde o vi jogar; o goleiro Zé Luiz, grande e paciente figura; Cidão estava lá, assim como Ivan Xavier e a maravilhosa figura emblemática amante da bola, capitão eterno Edson, que jogou os dois tempos,  isso já com mais de 70 anos (sem gato); esteve lá também o mestre Erandy Montenegro, ex-craque de bola e técnico que marcou época em nosso futebol; Juca, nosso goleiro do primeiro gol do Castelão/Machadão e, não poderia deixar de ser lembrado, pois não esquece da gente, o querido amigo Ribamar Cavalcante. Essa página, esses caras, mereciam homenagens todos os dias.
Uma menção especial para pessoas que, sem entrar em campo, têm uma importância vital para o master, para o ABC. Começando com Joquinha, quase 50 anos de mordomo do ABC, talvez a figura mais importante para que esse projeto nunca morresse.  A impagável Deusinha, torcedora símbolo, assim como meu parceiro Bora Porra. O baixinho Genival e toda sua equipe, trabalhando duro e feliz para servir a todos. Somos todos gratos, me incluo nesse mundo do ABC, mesmo, confesso, tendo ficado um pouco ausente ao longo desse ano.
Um agradecimento aos queridos árbitros Aldemir Faustino e João Batista, e minhas escusas sinceras ao terceiro personagem desse trio solícito, que esqueci o nome. Vocês deram uma parcela enorme de contribuição para a festa.
Fui homenageado, fiquei emocionado, pois na hora senti uma dor imensa pelos que não estão mais entre a gente, senti saudade do inigualável Furão, massagista, pois não tem um encontro que ele não seja lembrado; Soares, Marinho Chagas, Piaba, entre outras figuras tão marcantes de nosso futebol que passaram para outro plano.
Por fim, seria cômico, se não fosse trágico. “Ele” apareceu. O Bicão. E vejam só, na hora em que conversávamos, eu e o filho do capitão Edson sobre as peripécias do dito cujo, eis que ele chega. Mudei de mesa sob o olhar divertido de todos. Minutos depois, estava na mesa de Alberi, e lá veio o Bicão com as mesmas histórias alucinógenas de que esteve tomando café da manhã, almoçando, jantando, viajando com os mais famosos craques do Flamengo. Depois, claro, todo mundo começa a driblar, tentar se livrar, mas ele continua se infiltrando e tanto fez que conseguiu alguns minutos de microfone na mão para repetir suas bobagens da boca pra fora.
Mas isso lá teve importância nenhuma. É evidente que nem Bicão ou qualquer outro intruso tão renegado quanto ele nunca teria o poder de empanar, estragar a beleza da festa dos Masters do ABC. Por isso quis, nesse meu texto de domingo agradecer a todos eles por tudo que fizeram e continuam fazendo para salvar, manter vivo o futebol do RN. Um exemplo maravilhoso para um monte de garotos presentes, filhos e netos, parentes de nossos craques e, quem sabe, eles não deixem nunca apagar essa chama.
E neste pequeno parágrafo final a homenagem a Judas Tadeu Gurgel, talvez, na história do ABC, o único dirigente que demonstrou, sempre, gratidão, amizade e o mesmo apreço aos ex. Isso não tem medida. Por isso que Tadeu, mesmo injustiçado dentro do próprio ABC, e por parte da imprensa “jabazeira” e canalha, merece e vai continuar merecendo ser o presidente de honra do ABC Master. A ele, todos, sem exceção, dizem muito obrigado. E também.
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Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos