OPINIÃO

Natal e o “novo normal”: o retorno do mesmo

A vergonha que Natal passou no último final de semana, quando, na praia de Ponta Negra, uma verdadeira horda resolveu brindar à morte, desprezando os mais de MIL E SEISCENTOS MORTOS vítimas da pandemia, precisa ser lembrado até que não nos lembremos mais, o que para o brasileiro é coisa de uma ou duas semanas.

Os exemplos da pandemia da ignorância são vistos hoje em dia mais, inclusive, do que a própria pandemia, “desaparecida” dos grandes meios de circulação, mais preocupados com o “novo normal”, uma bobagem típica dos tempos atuais pois não significam absolutamente nada. Fomos imbecilizados a tal ponto que ver o presidente da República erguendo uma caixa de remédio como se fosse um troféu, nos causa risos, mais do que revolta.

Conheço pessoas que tem acesso à informação, que são “letrados”, de “boa família” e até anti-bolsonaristas, que embarcaram na nau da ignorância, afinal tem gente tomando até o remédio antiparasitário, a Ivermectina, com a desculpa de que “se mal não faz, porque não toma-lo?” .

Alguns, mais adeptos da ignorância obtusa, já me abordaram e disseram taxativamente que os “números da Covid-19 são bem menores que os mostrados pela televisão” e, ao serem indagados da fonte dessa preciosa informação, disparam que “é só ver, estão juntando todas as causas de morte pra dizer que é Covid, só pra receberem dinheiro do governo”. Detalhe: são pessoas com ensino superior completo.

Estamos passando por uma provação, de acordo com outro conhecido, esse mais religioso, e é tudo “culpa da roubalheira do PT”, algo que obviamente não tem nenhuma formulação mais densa, porque quando se abre a boca para rebater, o cérebro do ser ignorante se atrofia, até como autodefesa, afinal o mundo da ignorância trás consigo a agradável sensação de torpor mental e a pessoa não precisa se esforçar para entender e compreender as coisas.

Até a Fecomércio, que pressionou escandalosamente para o retorno ao “novo normal”, se espantou com a Dança da Morte, e emitiu nota “preocupada” e “indignada”. O Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Rio Grande do Norte (SHRBS-RN), também soltou nota “preocupado” com o que aconteceu, mas ressaltou que é corriqueiro, reforçando a sensação da balela do “novo normal”. No delírio dos formuladores desse “novo normal” os cidadãos, tomados por uma “conscientização coletiva” da necessidade de mudar os costumes pretéritos, afinal a humanidade, e não apenas Ponta Negra, foi atingida por uma pandemia e só no BraZil o número de mortos mais do que lota um estádio do Maracanã, dariam outro rumo aos princípios civilizatórios.

Parece certo que não veremos os jovens saudando a vida e nem dançando e entoando “kumbaya”, enquanto os mais velhos, principalmente os pobres, deixarão de ser desconsiderados e passarão a condição de cidadãos. Acho que o que vem pela frente está mais para a música “God is Dead?” do Black Sabbath, pois muitos terão que fazer essa pergunta a sí mesmo.

E virá uma grande sombra….

 

 

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