OPINIÃO

80 nós na garganta

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Essa semana, um número tem pairado meus pensamentos e dado nó na minha garganta. Oitenta. É dele que lembro quando penso em um ser humano que morreu por cometer o crime de existir.

Nos dias de hoje, a gente quer explicar tudo com números. 80 tiros para matar um homem inocente que ia a um chá de bebê com sua família. 23 minutos para assassinar um jovem negro no Brasil. 50% a mais de homicídios em relação aos brancos. 78% dos mortos em intervenções policiais.

Nessa perversa matemática, multiplicam-se “os enganos”. Crescem exponencialmente as explicações que visam desumanizar e normalizar o racismo e o ódio contra o povo preto e pobre desse país.

Continuamos dormindo e acordando como se nada tivesse acontecido. Sendo vítimas de uma cultura que não sente culpa em nos exterminar.

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No domingo “o engano” matou Evaldo Rosa dos Santos, músico, 51 anos, assassinado na frente do seu filho pequeno. Mas isso acontece todos os dias nas cidades brasileiras, principalmente nas periferias.

O deboche com o qual a esposa de Evaldo foi “confortada” pelos militares que assassinaram seu companheiro, era o mesmo exibido pelos senhores de engenho que torturavam seus escravos nos tempos de senzala e grilhões. O silêncio das autoridades que comandam nosso país alimenta essa barbárie, reforçada pelo louvor dos “cidadãos de bem” nos pelourinhos modernos, as redes sociais.

Para eles, famílias pobres e pretas não são dignas de defesa, só de tiros. E o “curioso” é que o alvo dessa “violenta emoção” tem endereço e cor.

No Brasil, pena de morte sempre existiu para pretos e pobres.

Nossa mais concreta e permanente política de Estado é o racismo. A gente sempre fala que a carne mais barata do mercado é a carne negra, mas até o barato pressupõe algum valor. Eles querem que nossa carne não valha nada.

Não conseguirão. Desatemos os nós da garganta, é tempo de gritar e resistir.

Parem de nos matar.

 

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Divaneide Basílio
Divaneide Basílio é vereadora de Natal e filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT)

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