DEMOCRACIA

PSOL responde ataque a Marielle no RN: “O que se espera da imprensa é o comprometimento com a verdade”

A rádio 96 FM veiculou nesta quarta-feira (11) o pedido de resposta solicitado pela Executiva Nacional do PSOL às agressões do blogueiro e radialista Gustavo Negreiros à memória da vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.

Em comentário ao vivo no dia anterior, Negreiros afirmou que Marielle era “miliciana” e que havia morrido em razão de uma “briga caseira” entre grupos ligados à milícias cariocas.

– Marielle era uma miliciana lá do Rio de Janeiro, vereadora que brigou com outra parte da milícia e foi assassinada. Isso é uma briga caseira”, afirmou.

A nota do PSOL é assinada pelo presidente nacional da sigla Juliano Medeiros e foi gravada por um locutor da rádio no intervalo do programa Jornal das Seis.

Na resposta, o líder psolista afirma que o partido recebeu com “absoluta indignação a declaração difamatória e caluniosa de Gustavo Negreiros”, destaca a trajetória da vereadora Marielle Franco na luta contra contras as milícias do Rio de Janeiro e em defesa dos Direitos Humanos e ressalta que “o que se espera da imprensa é, ao contrário do comportamento do referido jornalista, o comprometimento com a verdade e o combate à impunidade”.

Na volta do intervalo, nenhum dos jornalistas que compõe a bancada comentou o conteúdo da nota do PSOL.

Leia na íntegra o direito de resposta:

Juliano Medeiros – Presidente Nacional do PSOL

Com absoluta indignação o PSOL soube da declaração difamatória e caluniosa de Gustavo Negreiros, comentarista deste programa, feita ontem, 10 de março, contra a vereadora Marielle Franco.

De maneira leviana e perversa, o apresentador chamou Marielle de “miliciana” para tentar justificar o brutal assassinato da parlamentar em 2018. Só podemos entender a atitude como a busca desesperada por holofotes e audiência junto aos segmentos mais conservadores da sociedade. Uma atitude inaceitável.

Marielle ganhou destaque na política pelo seu trabalho sério e combativo em defesa dos direitos humanos e dos excluídos. Seu assassinato ocorreu logo depois de denunciar a ação truculenta da PM na comunidade de Acari, no Rio de Janeiro. Marielle lutava contra as milícias. E foi por enfrentar os poderosos que tentaram calar sua luta.

No próximo dia 14, completam dois anos do crime, e seguimos queremos saber: quem mandou matar Marielle? O que se espera da imprensa é, ao contrário do comportamento do referido jornalista, o comprometimento com a verdade e o combate à impunidade. Até o momento, não há nenhum condenado pelo assassinato de Marielle e seguimos exigindo respostas.

O que esperamos agora de  Gustavo Negreiros e da Rádio 96 FM é retratação e a afirmação do seu compromisso com a verdade, os fatos e a ética jornalística”.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"