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Panelaço contra Bolsonaro une as janelas da periferia e da burguesia no Brasil

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O maior panelaço já realizado contra o governo Bolsonaro aconteceu nesta quarta-feira (18) e ecoou pelas janelas de várias cidades brasileiras. O protesto foi registrado na periferia e também em bairros nobres de grandes cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre.

O Nordeste, única região onde Bolsonaro teve menos votos que Fernando Haddad em 2018, foi tomado pelo som das panelas, colheres de pau e aparelhos de som que entoavam ora o jingle da campanha de 1989 do ex-presidente Lula e canções de Chico Buarque.

Embora tenha sido marcado para 20h30, em várias cidades do país, incluindo São Paulo, a população se antecipou, bateu panelas e exigiu a renúncia ou o impeachment do presidente da República.

Aos gritos de “assassino”, “fascista”, “miliciano”, “ditador”, “golpista”, “Fora Bozo” e “Fora, Bolsonaro”, a população deu o recado usando a mesma estratégia da burguesia que minou, também batendo panelas, o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff, vítima de um golpe parlamentar, jurídico e midiático disfarçado de impeachment.

Não há dúvidas de que o panelaço, ou barulhaço, foi o maior e mais importante já registrado contra Bolsonaro. A repercussão também foi proporcional ao barulho das janelas de casas e apartamentos muito em razão do momento delicado de pandemia do Coronavírus.

Isso porque, a despeito da tragédia mundial provocada pelo vírus, Bolsonaro desdenha da crise, desrespeita recomendações médicas e expõe ao risco a vida da população, inclusive a de seus próprios eleitores, como no domingo (15), durante a pífia manifestação ilegal e inconstitucional realizada por bolsonaristas, incentivados pelo próprio presidente da República, que reivindicavam absurdos como a volta do Ato Institucional Nº 5, além do fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

O sentimento extravasado pelo som das panelas e reverberado também nas redes sociais rompeu, ao que tudo indica, a bolha da esquerda brasileira. No calor da emoção do ato cívico e democrático de 18 de março há quem tenha se antecipado à história ao afirmar que “hoje o governo Bolsonaro acabou”.

Com o Congresso e o STF ainda na inércia defensiva, além do povo em quarentena sem a companhia das ruas, provavelmente o fim ainda não foi. Mas não há dúvidas: foi um anúncio barulhento de um novo dia.

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Rafael Duarte
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"

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