OPINIÃO

A doação de Neymar

Por livre e espontânea “pressão” o milionário jogador brasileiro Neymar, terceiro mais bem pago do mundo, fez uma doação de R$ 1 milhão de reais. Muito menos que Lionel, Messi, Guardiolla, Cristiano Ronaldo, Mbappé e tantos outros desportivas do mundo da bola, doações para ajudar seus lugares de origem no combate ao Coronavírus. A notícia foi confirmada na sexta-feira (3), depois do atleta ter passado a semana preocupado em tentar manter na casa do BBB o seu novo amigo Filipe Priori, seu novo amigo que, por sinal, no mesmo dia, recebeu acusações de estupro e uma de tentativa de estupro.

Ele, Gabigol, Dedé e outros menos votados, mas tão idiotas quanto, fizeram campanha, prometeram sortear camisas para quem votasse no rapaz em questão. Enquanto isso, na Europa, os companheiros de clube, de profissão, falavam, cuidavam, participavam de campanhas e confirmavam doações milionárias para o combate à pandemia que está assombrando o mundo. Eu pergunto:  em que mundo vive esses caras? De que matéria são feitos esses sujeitos alienadas, imbecilizados, matéria prima do nosso futebol brasileiro com raríssimas, raríssimas exceções. Como continuar a torcer, querer bem, apoiar gente desse nível?

A doação do “menino Ney”, como costumava chamar Galvão Bueno, quase como pedindo desculpas por tantas as merdas que ele faz, no final da noite de sexta-feira já tinha chegado a R$ 5 milhões. A quantia foi doada a Unicef e a um fundo de Luciano Huck, segundo informações do SBT. Claro, evidente está, que isso só aconteceu depois da grita mundial, depois que seus patrocinadores, marketeiros mostraram as ações pelo mundo dos seus companheiros do mundo da bola. Seria muito feio, inclusive para o seu marketing, aquisição de patrocinadores, se ele continuasse indiferente. A maquiagem precisava ser feita, e foi. A mim e, claro, a mais outros milhões de brasileiros ele não engana.

Faz muito tempo que, comparando, ações solidárias, comportamentos e posicionamentos políticos, mesmo o nível intelectual, que tenho me mostrado envergonhado dos meus pares, sim, porque mesmo sendo de uma “casta inferior” eu também fui jogador profissional de futebol e sei da importância que teria se Pelé, Ronaldo, Romário, Neymar, entre tantos outros, tivessem um comportamento parecido com alguns hermanos, tais como Maradona, sim, Diego Maradona, com todos seus defeitos, mas sempre em defesa do povo argentino, lutando contra a desigualdades social, a podre ditadura e bandidos poderosos; Messi, exemplo de hoje, assim como Carlito Tevez, Riquelme e tantos outros.

Neymar que, sempre é bom lembrar, assim como Ronaldinho Gaúcho, hoje preso no Paraguai; Felipe Melo, Ronaldo Nazário, Marcos (ex-goleiro do Palmeiras), Felipão Scolari e uma enorme trupe de idiotizados ligados ao futebol são responsáveis, fazem parte da “bovinada” que elegeu o repulsivo Jair Messias Bolsonaro, a pior desgraça que poderia acontecer ao Brasil, e que, na última sexta foi denunciado pela  Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) por crime contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional. A denúncia foi protocolada na quinta-feira (2) na corte de Haia. Segundo o documento, atitude de Bolsonaro nessa crise do coronavírus expõe “a vida de cidadãos brasileiros, com ações concretas que estimulam o contágio e a proliferação do vírus”.

Bolsonaro, Neymar & Cia e o triste  futebol brasileiro, coito de de gente como Ricardo Teixeira, de impunidade, homofobia, racismo, machismo, misoginia, hipocrisia e corrupção, tudo a ver.

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Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos

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