OPINIÃO

A elite rastaquera “limpa e cheirosa” já tem seu candidato: Moro

Rapidamente a “elite” brasileira, que mais merece o epíteto de rastaquera, acomoda seus testas de ferro, para enfrentar Lula, que se mantém como o candidato mais forte ao cargo de presidente, cujas eleições (gerais), será daqui a um ano, em outubro de 2022, o que, de antemão, significa que o processo apenas começou.

Os rastaqueras encontraram em Moro, expressão, a meu ver, viva de boa parte das camadas médias, enfronhadas numa mistura de moralismo hipócrita com sem-vergonhice explícita e que se apegam numa definição, tacanha, de “cidadão do bem”, para justificar suas canalhices. Moro comandou um bando de arrivistas travestidos de procuradores da república que comandaram a destruição da indústria nacional, em seguida “caçou” Lula e o impediu de candidatar-se em 2018, foi “premiado” com um ministério e defenestrado quando o Mandrião percebeu que ele seria uma pedra no caminho.

É certo que uma parte dos rastaqueras está acoplada ao fascismo bolsonarista e com uma certa lógica, pois o neoliberalismo não tem boa convivência com a democracia e sempre apoia a “mão forte do Estado” para dar vazão aos seus interesses privados. Mas a catástrofe social e econômica, produzida pela horda bolsonarista, fez com que parte dessa elite buscasse, e não é de hoje, um “substituto” para o Mandrião. Foram meses trabalhando pela “terceira via”.

Foi um movimento bastante claro, emulando o decadente PSDB e até o inconstante Ciro Gomes. Mas Ciro, com seus surtos antipetistas, mostrou-se incapaz de produzir algum efeito nas pesquisas eleitorais, e o PSDB, hoje um partido sem perfil ideológico, relegado a um amontoado de conservadores que brigam entre si, foi descartado. E Moro foi “chamado”, afinal o “partido da lava a jato” nunca saiu de cena.

O movimento de ressuscitar Moro foi encaminhado e logo surgiu a necessidade de uma casulo, um “partido de aluguel”. E o escolhido foi o Podemos, que na verdade tem uma longa história, arvorando-se, inclusive, de herdeiro do antigo Partido Trabalhista Nacional, PTN, que existiu entre 1946 e 1964, e que tinha um perfil conservador e que teve, no auge, Jânio Quadros eleito presidente da república e cujo governo durou apenas sete meses, quando renunciou. Banido pela ditadura em 1965, desapareceu da cena política.

Em 1995 o PTN “renasceu” como uma “empresa familiar”, comandada pelo empresário paulista Dorival de Abreu, ou seja, um “negócio” na esfera da política e sem nenhum escrúpulo. O “negócio” da família Abreu continuou mesmo com o falecimento de Dorival, assumindo seu irmão, José Masci de Abreu e que manteve o “modus operandi” do PTN, vendendo apoios e pleiteando participação em todos os governos que aparecessem pela frente e em qualquer esfera.

Em 2013 Masci deu lugar a nova geração dos Abreu e a jovem Renata Abreu tomou as rédeas do partido e, diante de um cenário nada promissor para os negócios da família, já que o PTN não saia do lugar, resolveu “abrir” as portas do partido para o “pensamento moderno”, reunindo, na realidade toda quinquilharia política que estava nos seus guetos ou nos limbos, mas como, com raras exceções, os partidos brasileiros se movimentam com essa lógica, o PTN enfim saiu do ostracismo e chegou a eleger, em 2014, quando conseguiu eleger 4 deputados federais. Essa mudança tática, feita por Renata Abreu. Abrigando os conservadores, fez com que na janela partidária no início do ano de 2016, vários parlamentares trocaram de legenda e o destino de alguns deles foi o PTN que, à época, passou a ter 13 deputados federais. Ainda como PTN, obteve o maior crescimento proporcional no número de prefeituras nas eleições de 2016.

Em 2016 a “modernização” feita por Renata Abreu, agora deputada, fez com que o PTN adota-se o nome de Podemos, uma referência patética ao “sim, nós podemos” (“yes, we can”) de Obama, que virou palavra de ordem na sua campanha presidencial. O “partido dos cidadãos de bem”, peça publicitária bem articulada pela deputada dona do partido acabou atraindo gente como 2017 recebe Álvaro Dias, do PV, e o ex-jogador de futebol, Romário, que era do PSB, em 2017.

Apoiou o Golpe de 2016, esteve na base de apoio de Temer e saiu devido ao escândalo da JBS, de 2017 e apoiou todas as reformas demolidoras de Temer e em 2018 formou a “coligação dos pequenos”, junto com o ultraconservador Partido Social-Cristão (PSC); o ínfimo Partido Republicano Progressista (PRP), que em 2019 seria absorvido pelo Patriota (ex-Partido Ecológico Nacional, PEN); e o não menos minúsculo Partido Trabalhista Cristão (PTC), que já tinha servido a Collor, como Partido da Reconstrução Nacional (PRN), e que recentemente anunciou que mudou seu nome para Agir!), lançando Álvaro Dias à presidência e este obteve ridículos 0,8% dos votos.

Agora o Podemos oferece seu partido para o “partido da lava a jato” e a chegada de Moro, Dallagnol e o ex-general Santos Cruz, mostra que, enfim a elite rastaquera encontrou seu candidato.

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo