OPINIÃO

A esculhambação da vacinação e o “patriotismo” tupiniquim

Não temos uma formação que nos instigue a ser patriotas, que no sentido literal é aquele/aquela que ama a pátria e a ela presta serviços, ou sequer sermos nacionalistas, que seria um sentimento de valorização marcado pela aproximação e identificação com uma nação. Aliás, somos uma nação?

O conceito que utilizo de nação é de uma comunidade estável, historicamente formada, de idioma, de território, de vida econômica e de psicologia manifestada na comunidade de cultura e que nenhum desses traços distintos, tomado isoladamente, é suficiente para definir a nação basta que falte um só desses elementos para que a nação deixe de existir.

Não vemos por aí bandeiras brasileiras serem colocadas nas residências, nem as pessoas acostumadas à letra do Hino Nacional, cuja composição inicial apareceu em 1831, nove anos depois da declaração formal de independência, mas que a letra tal qual poucos sabem soletrar, só formalizou-se em agosto de 1922, cem anos depois do dia em que o bigodudo Pedro, ladeado por sua escolta e já lastreado pelos Bonifácio, proclamara a independência, devidamente comprada, é claro.

Nosso patriotismo é trôpego e rudimentar pois sequer sabemos nossa história, quem foram nossos heróis/heroínas, se é que produzimos alguns/algumas e tudo que nos foi passado, na infância e na adolescência não serviu para formar nosso amor ao BraZil. Longe disso, somos apaixonados pelo dinheiro, pela vida boa, pelo comportamento ambíguo e por uma certa tendência a acolher o “esperto”, ou será que nós, cinquentões, esquecemos daquela infame propaganda de 1976, que fez a propaganda do cigarro Villa Rica, que afirmava que “gostava de levar vantagem em tudo”?

Aliás o patriotismo patético, levou multidões às ruas com camisas da seleção brasileira, exaltando os EUA e posteriormente Israel, numa demonstração de ignorância que pautou o empoderamento da extrema-direita brasileira, que nos levou à essa situação em que estamos. O patriotismo mambembe gerou uma horda ignorante, obtusa e reacionária e, agora, diante dessa esculhambação completa do tal “Plano Nacional de Vacinação”, nosso patriotismo-lixo é desmascarado.

Num país doente, isolado e ridicularizado em todo o mundo, as vacinas, sabotadas pelo governo federal escancaradamente, a ponto de o presidente da República mandar o Exército produzir a cloroquina, um remédio que nenhum cientista sério considerou fundamental para combater os Sars-Cov 2, e deliberadamente montou um Plano Nacional de Vacinação fake, obrigado que foi pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e estamos vendo o resultado disso.

Esse mandrião que representa toda essa horda ignorante e “patriótica”, levou o país ao fundo do poço, já que quando fomos pedir ajuda à Índia e China, os dois nos responderam levando em consideração o que Bolsonaro tem feito desde 2019 : o primeiro negou ajuda devido ao comportamento do BraZil na Organização Mundial do Comércio (OMC), que foi contra os interesses daquele país; e o segundo que não tem no nosso país, um parceiro comercial importante, visto termos passado os últimos dois anos, agredindo a milenar nação chinesa, famoso por sua “memória política”.

O país hoje tem 6 milhões de dose, quando seriam necessários, no mínimo, 31,1 milhões, de acordo com o próprio governo federal. Além dos 6 milhões de doses já distribuídos, há mais 4,8 milhões em território nacional — que a Anvisa deve liberar em breve. O Brasil também aguarda a chegada do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), necessário para a produção da CoronaVac e da vacina de Oxford, ou seja, os “patriotas” esqueceram da Pátria.

Nossos “patriotas”, aqueles que se acocoram diante da bandeira dos EUA, literalmente “largaram” o país à própria sorte, a ponto de o ministro da Saúde justificar a incompetência diante da tragédia manauara, devido à localização geográfica da cidade, ou seja, o governo central eximiu-se de responsabilidade.

Imagino esses “patriotas” vendo os caminhões da “malvada” Venezuela chegando em Manaus para socorrer os habitantes que estão morrendo por asfixia e que agora se sabe que essa situação está se espalhando por várias cidades.

O que vai ser de nós, habitantes do BraZil, sujeito a esses “patriotas”, que colocaram o país como a mais reles colônia de interesses dos EUA e que agora pagamos por essa subserviência, com a improvisação da vacinação.

Prá Frente BraZil!

 

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