DEMOCRACIA

“A estratégia de drives não garante acesso (à vacina), é excludente”, diz coordenadora de vigilância da Sesap

Para a coordenadora de vigilância da Saúde da Sesap Kelly Lima a estratégia de vacinação utilizada pela prefeitura de Natal, como instalação de drives em determinados pontos da cidade, é um dos fatores que dificultam a alimentação de dados no sistema e o próprio acesso da população ao imunizante.

“Acabam criando dificuldades na alimentação das informações em tempo oportuno” e, além disso, “essa estratégia de drive não é uma estratégia que garanta o acesso, é uma estratégia excludente”, disse.

À edição do Balbúrdia desta terça-feira, 8, Kelly Lima falou sobre o processo de vacinação no Estado do Rio Grande do Norte e explicou como se dá a distribuição das doses pelo Ministério da Saúde às unidades federativas e a determinação dos grupos prioritários.

Informação é o grande movimento que precisa ser feito para que as pessoas tenham acesso garantido à vacinação em tempo oportuno e o governo consiga avançar na campanha de imunização contra a Covid-19. O destaque do papel da imprensa no enfrentamento da pandemia e combate à desinformação foi feito pela coordenadora de vigilância em Saúde do Estado.

Motivo de reclamação por parte de gestores em diversas regiões do país, o número de imunizantes a serem recebidos segue critérios de partilha que tem gerado uma desproporção no fornecimento de doses por habitante.

O envio do Ministério da Saúde é com base numa estimativa do IBGE, o que às vezes gera um conflito, já que essas informações não são fidedignas com o número de pessoas nos territórios”, esclarece Lima.

Ainda em dezembro, quando o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 começou a ser formulado, o Ministério da Saúde informou que a distribuição das vacinas seria realizada de modo proporcional à população de cada estado, de acordo com informações mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O problema é que o último censo é de 2010.

No Rio Grande do Norte, uma ferramenta foi desenvolvida para que se tivesse mais precisão nas informações sobre a necessidade de vacinas em cada município: o Lais/UFRN, que gerencia a distribuição e aplicação das vacinas no Estado. Mas Kelly falou que os municípios não estão conseguindo fazer a utilização em tempo real, entre eles a capital potiguar. Com o problema da falta de equipamentos necessários à alimentação, a coordenadora de vigilância em Saúde elenca outros fatores “extramuros” que influenciam no atraso, como os drive thru.

Com a participação no chat de um forte grupo de mulheres lactantes, a gestora falou sobre o esforço do Governo do Estado em iniciar a vacinação desse grupo que não foi incluído entre os grupos prioritários no Programa Nacional de Imunizações. Hoje (8), em reunião do Governo, municípios e os órgãos de controle, o assunto será discutido.

Kelly comemorou a aprovação do uso e importação da vacina Sputnik V, comprada pelos estados do Nordeste e Norte, ainda que com uma pequena quantidade de doses liberadas. Só os estados do Nordeste têm acordo de compra para 37 milhões de doses. Não há ainda uma data certa para a chegada desse imunizante ao Rio Grande do Norte, mas segundo Kelly a expectativa é de que as primeiras doses cheguem ainda no mês de junho.

Confira entrevista na íntegra.

 

 

 

 

 

 

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