OPINIÃO

A força do jornalismo independente

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A crise no modelo de negócios há muito adotado pelas empresas de mídia, somada ao crescimento do impacto da internet nas formas de se fazer jornalismo, resultou, entre outras coisas, num cenário de muitas demissões em rádios, TVs e jornais brasileiros. Tudo isso, aliado às dificuldades econômicas apresentadas nos últimos anos. Para muitos, uma realidade que só trouxe pontos negativos para o jornalismo brasileiro.

Mas um olhar sob uma perspectiva diferente nos revela que no meio disso tudo, surge um fenômeno extremamente positivo para democratizar a informação e promover a pluralidade de ideias e opiniões: o crescimento do jornalismo independente.

Forçados pelas dificuldades impostas por todo este cenário apresentado, jornalistas recém-demitidos, ou desconfortáveis com o papel que exerciam em grandes veículos, saíram de uma “zona de conforto” e foram em busca de fazer um jornalismo diferenciado, apostando no empreendedorismo como ferramenta. A agência Saiba Mais é um exemplo disso.

Iniciativas como o Saiba Mais (Rio Grande do Norte), a Agência Pública (São Paulo), a Amazônia Real, o Brio, os Jornalistas Livres passaram a tratar de temas até então ofuscados ou omitidos pelos grandes veículos, quando não abordado sempre sob uma ótica a favor de interesses dos grandes grupos. Com a ação de iniciativas como estas, o público brasileiro passou a conhecer outros ângulos de histórias que pareciam possuir um único lado. De pequenas e ousadas iniciativas, o jornalismo independente passou a pautar discussões importantes para a sociedade brasileira e confrontar versões “vendidas” como únicas pela grande mídia.

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A dificuldade ainda está em descobrir modelos rentáveis de negócio para sustentação financeira destes projetos. Boa parte deles ainda depende de apoio de ONGs internacionais, campanhas de financiamento coletivo ou programa de assinatura para leitores. Mas com tanta informação gratuita disposta na rede, conquistar o interesse e confiança do público, a ponto de um comprometimento de pagar pelo que lê, ouve ou assiste, tem sido um desafio. É preciso entender que jornalismo bem feito custa caro. Para ser justo, quem pede um jornalismo diferenciado deveria contribuir para que isto aconteça.

O jornalismo independente desafia um grande mal da nossa sociedade: o monopólio da informação por grandes grupos empresariais. Numa sociedade acostumada com esta prática, o mundo a que o público tem acesso passa a ser moldado por estes grupos. O fomento a mais canais de comunicação quebra esta estrutura, diversificando e pluralizando os relatos jornalísticos, sob ideologias, visões políticas e olhares diferentes. Só assim poderemos vislumbrar uma sociedade bem informada e capaz de discutir temas de interesse nacional com a seriedade que eles merecem ser tratados.

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Jornalista e Professor