OPINIÃO

A gangorra da Copa (e do futebol)

A louca gangorra do futebol continua à toda nessa Copa do Mundo de tantos comentaristas tontos, malucos e raríssimos conhecedores do que tratam. A Argentina. O grande culpado do fiasco contra a Croácia era o treinador Sampaoli, chileno maluco que nunca deu uma cara ao time e que já tinha sido muito criticado por conta do empate da estreia.
Pois bem, no jogo seguinte, na vitória sofrida sobre a Nigéria, tudo se acertou porque o “grande” Mascherano, deus da bola na opinião de Dani Alves, peitou o treinador e tomou, ao lado de Messi, o controle do grupo e da escalação.
Deixa eu pontuar que acho o volante-zagueiro-brucutu do Barcelona uma tremenda murrinha, mas nunca vou colocar em xeque a sua raça, a sua força de liderança dentro de campo e o tamanho do seu coração. No meu time, contudo, desculpes os fãs, ele não jogaria, talvez por isso, reconheço, nunca tive ou vou ter um.
A “nova” Argentina passou de fase, sofrendo e apresentando os mesmos defeitos, mas passou. Lá vem a França. Agora, era o time dirigido, na real,  pelos dois astros. Perdeu, jogando com a mesma garra de sempre, também com a limitação conhecida, uma equipe, convenhamos, restrita ao talento de Messi e mais alguns coadjuvantes vagalumes. Mas, perdeu!
As baterias, de novo, agora, esquecido Sampaoli, relegado a terceiro plano, todas dirigidas para a “turma de Messi” que deixou o Dybala de fora, que mudou isso, transformou aquilo e por isso a desclassificação.
Os “amigos de Messi”, os escolhidos de Mascherano, trairagem com os jovens valores que não puderam despontar, são os motivos que serão repisados à exaustão pela, também, maluca e apaixonada mídia hermana.
Problemas, nestes tempos de astros milionários, de briga por espaços publicitários, e cada vez por mais e mais milhões, todas as seleções enfrentam, o Brasil que o diga, a Alemanha, Colômbia, Croácia, Espanha, enfim…
Contudo, no caso argentino o que faltou mesmo foi um time de qualidade. O coração, raça, dedicação, tudo presente, e sempre vai ser assim, mesmo que existam as diferenças, eles não deixam atrapalhar em campo. Nesse caso, ao contrário do Brasil, por exemplo, eles têm essa consciência, tenho absoluta convicção, as limitações técnicas os desclassificaram, e só.
Dybala e o outro rapaz deveriam ter jogado? Acho que sim. Dividiriam funções com Messi e  a criatividade cresceria, pode ser. Mas, de novo, repito: todas as seleções enfrentam essas mesmas discordâncias, divisões de opiniões. Novamente o exemplo do Brasil que levou para a Copa pelo menos três jogadores fora de suas melhores condições – Douglas Costa, Renato Augusto e Fagner – deixando de fora supertalentos como Vinícius Jr., Rodriguinho, Paquetá, Luan e Artur.
Se perdermos, do México ou mais adiante, mesmo se for na final, Tite será cobrado e execrado por isso e outras tantas mazelas que surgirão com a derrota. Se não, se campeão, assim como Neymar e todos, mesmos os amarelões, e outros que estão jogando abaixo da crítica, os machucados, os não utilizados, até
Daniel Alves por uma visita que fez, serão elevados à condição de semideuses.
O exemplo do Uruguai. O time da pancadaria, muitas vezes disfarçada ou justificada por raça,  tinha a certeza de que passaria da primeira fase porque seu grupo era uma baba. E era. Mesmo assim foi dois 1 a 0 em times fracos e a surpresa de mais gols contra os donos da casa. Agora, depois de hoje, já vi gente dizendo que a Celeste tem a melhor dupla de defesa da Copa. Quem testou? A pobre seleção portuguesa de dois jogadores apenas? A Rússia, fraquíssima? Suarez e Cavani, dois ótimos atacantes, já estão sendo elevados à condição de Messi, Neymar e Cristiano Ronaldo. Não, mil vezes, não! Com títulos, gols, vitórias, Copa ganha, nada, nada vai mudar a condição técnica deles.
Essa roda gigante do futebol ainda vai premiar muitos, amaldiçoar outros tantos. A Espanha vem aí. Iniesta pode passar de jogador do passado, ex em atividade, a ” eterno”, dependendo do resultado da Fúria. Modric, ótimo coadjuvante do Real, a mesma coisa e assim por diante. Até um canhotinho meio torto, aquele da Suíça (Shaqiri), que deu calor no Brasil, se passar adiante vai começar a ser comparado àquele holandês carequinha que joga no Bayern (Robben) e que sempre tem seu futebol elevado à potência do exagero devido à mediocridade de marcadores.
Vamos encerrar aqui e esperando os próximos capítulos dessa coisa doida, incompreensível chamada futebol,  matéria que todo mundo entende, explica e até se arvora a ser treinador. E e é assim mesmo, pois foram os analistas deste futebol que consagraram, para o mundo, um cara que nada sabe de futebol, Carlos Alberto Parreira, e por um bom tempo, os mesmos analistas, os únicos adjetivos que brindavam o mestre Telê Santana era de turrão e pé frio.
O mesmo futebol que teve Zinho “enceradeira” tetracampeão do mundo, enquanto Ademir Menezes, Zizinho,  Ademir da Guia, Dirceu Lopes e Zico nunca conquistaram nenhuma, só para ficar em alguns exemplos muito nossos.
Mas vocês querem os maiores exemplos de absurdos quando se trata de Copa do Mundo ? Cito e relembro  o Brasil de 1950 (de Nilton Santos, Ademir Menezes e Zizinho); a Hungria de 1954 ( do capitão Ferenc Puskás); A Holanda de 1974 ( do saudoso Johan Cruijff) e o Brasil de 1982 (de Zico, Sócrates, Falcão e Cerezzo). Todas essas seleções voltaram para casa sem a taça e com alguns craques amaldiçoados.
Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo
Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *