OPINIÃO

A grande tragédia brasileira: a naturalização da morte

Em média TRÊS MIL pessoas estão morrendo diariamente no BraZil, vitimados pela pandemia do Coronavirus, isso dá, por semana, mais de VINTE MIL pessoas indo à óbito. No nosso dia a dia, ao abrirmos nossas redes sociais eventualmente trazem notícias de falecimento de pessoas conhecidas em maior ou menor grau, parentes e afins. Conheço pessoas que deixaram de abrir suas páginas no Facebook para não ter que ver essa rotina de morte.

Nosso tecido social, que já não era nenhum exemplo para o mundo, está esgarçado, com a volta triunfante da fome e miséria, aumentando o fosso histórico que separa os ricos dos pobres, o que parece até um chavão modorrento, mas que é revelador pois toda uma geração que saíra da miséria e pobreza, mais de TRINTA MILHÕES, retorna ao “lugar de onde nunca deveria ter saído”, enquanto os filhos dessa geração estão crescendo numa sociedade escandalosamente rica e escandalosamente desigual.

Falar em morte tornou-se comum entre nós, mas tenho certeza de que na periferia a fome, algo inerente aos vivos, é muito mais ameaçador e presente, e a desesperança que se instalou nesse país alimenta a resiliência e a naturalidade do sofrimento, que é devidamente explorado pelos mercadores da fé, os fariseus do templo, hoje fantasiados de pastores neopentecostais, aliados de primeira hora do grande responsável pela tribulação que vivemos: o Mandrião do Planalto.

A Morte, hoje uma presença desembaraçada nas nossas vidas, tem vários e poderosos aliados e isso talvez explique o fato de que, depois de termos ultrapassado as TREZENTAS E CINQUENTA MIL MORTES, ainda se escute coisas como “todo mundo morrerá de qualquer jeito”, “estão mentindo sobre as mortes para ter mais dinheiro e roubar” e, por incrível que possa parecer, “as coisas estão melhorando”, mesmo quando o próprio mercado financeiro, o grande protegido dessa tragédia, já aponta para um crescimento pífio do PIB brasileiro, em torno de 3% para esse ano, o que é, de fato, ridículo, posto que no ano passado caímos 4,1%, isso porque o parlamento aprovou, CONTRA A VONTADE DO GOVERNO, a ajuda emergencial e se não fosse por ela, teríamos visto uma queda de 9%.

Se a Morte tivesse atributos humanos certamente estaria rindo e se deliciando com o macabro banquete de corpos derivados diretamente da pandemia, mas talvez não seja necessário fazer esse exercício de abstração, já que a face da Morte está estampada em muitas lideranças políticas que continuam a enaltecer a ignorância, como o Coelho Branco potiguar, que prega os “benefícios” do “tratamento precoce” ou os muitos energúmenos que reverberam nas nossas emissoras de rádio e televisão, as mais escabrosas mentiras que acabam se tornando, para as milhares de pessoas desinformadas e os muitos canalhas, mentiras perfeitas para alimentar sua desumanidade.

O fato, mais do que escancarado, é de 15% da população brasileira está passando FOME e 60% dela está à beira de entrar no cada mais amplo segmento da população que vive deambulando nas ruas, sem trabalho e sem comida, enquanto muitos dos empresários, que poderiam ter, desde o início da pandemia, exigido uma postura mais afirmativa do governo, preferiram o silencio e, mesmo agora, preocupam-se mais em atacar os desesperados governantes do que cobrar daquele que deveria tê-los auxiliados.

É o BraZil….

 

 

 

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