OPINIÃO

A hecatombe brazileira sob o comando de um mandrião genocida

Na quarta-feira (21) morreram mais 1.388 brasileiros, somando 545.690 braZileiros abatidos pela pandemia, e, em média, estão morrendo MIL BRAZILEIROS por dia, ou seja, cerca de 30 mil pessoas deverão, infelizmente, morrer nos próximos 30 dias.

Com esses dados macabros poderíamos imaginar que os gestores públicos desse país estariam determinados a pôr fim à essa mortandade, estabelecendo uma aliança política que se transformasse em políticas governamentais, pois é o setor público o responsável direto por isso. Mas os principais debates, no momento, concentram-se na “reforma administrativa”, “reforma tributária”, reforma ministerial e a consolidação do poder do “centrão”, ou seja, os que estão sujeitos ao vírus foram colocados na berlinda.

A naturalização da morte parece ter se instalado, gerando um ambiente muito parecido com sociedades submetidas a guerras, só que sem escombros, bombardeios e massacres. A “guerra silenciosa” é uma constante na vida de todos, especialmente os mais vulneráveis, principais vítimas dessa mortandade, pois sem acesso a uma vida minimamente digna e com um governo que o enxerga como um “custo”, está condenado a ser expurgado de um orçamento que se concentra na capacidade de sobrevivência fiscal do governo, o que, em tempos sinistros, como o que vivemos, é uma aberração.

Com a naturalização da morte chegamos à naturalização da vida sob a pandemia, que pode ser presenciada diariamente, bastando para isso que se saia às ruas. Além do aumento contínuo de pessoas circulando e festejando, vê-se claramente que o uso de máscaras e mínimas regras de proteção contra o vírus, já começaram a ser secundarizadas, com a tendência de, em poucos meses, cair no esquecimento. Essa “naturalização” evidencia-se que o percentual de 22,5% totalmente vacinados parece ter dado essa sensação de segurança, mas esse percentual significa que 3 em cada 10 brasileiros estão totalmente vacinados, o que não significa necessariamente imunizado, e este percentual não inclui os menores de 18 anos.

Em meio a esse cenário que pode ser dito como bizarro, surreal ou sombrio, o governo prepara o contragolpe para evitar seu derretimento político e, mais do que isso, blindar o Mandrião, que parece, ao que tudo indica, ter transformado o aparelho estatal num balcão de negócios controlado por um clã familiar, com base num “cordão de proteção” estabelecido pelos militares e não se pode deixar esse aspecto num segundo plano.

Coube ao fascismo bolsonarista ser sustentado por vasto setor da sociedade, inclusive e principalmente, agora se vê, pelo setor militar, que recebeu como contrapartida cargos e benesses em meio a crise econômica e sanitária. Essa base social ainda mantém a força do presidente, que pode estar claudicante, mas não em fase terminal, como alguns analistas mais animados acreditam.

Obviamente que há uma crescente resistência e esse processo, complexo pelo histórico da relações políticas, é lento e sinuoso, portanto, não se deve esperar que a frente ampla, se é que ela vai existir em algum momento, irá se consolidar. E é bom também que não imagine que as manifestações de militantes, como tem sido até agora, terá um impacto decisivo no posicionamento dos deputados federais e senadores, a ponto de haver uma mudança no posicionamento destes. A frente ampla precisa ser ampla, e sem condicionantes tolos, e as manifestações precisam ser inclusivas e não exclusivas, como defendem algumas seitas ultra-esquerdistas.

Nesse recesso parlamentar, onde a luta política se instala nos bastidores, longe dos olhos do povo, é provável que venha a acontecer fatos novos e, quem sabe, as manifestações de sábado (24) darão mais combustível aos setores que estão empenhados na volta da democracia e na recuperação de um país adoentado e adormecido.

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