OPINIÃO

A hora e a vez de Neymar

Fico meio incomodado, confesso, tendo em andamento a disputa do Brasileiro, do nosso humilde Campeonato Potiguar e, no entanto, falar de Liga dos Campeões. Mas nesse domingo eu tenho um motivo que justifica a opção, acho que vocês me entendem. O Brasil, futebol do Brasil, tem sim um interesse bem especial nesta final de Champions. É quase um remake de Brasil x Alemanha, é, vamos dizer assim, mais uma chance de “vingança” contra os alemães. Bobagem, né? Também acho, mas assim é o futebol.

Acima de qualquer coisa, esse duelo de hoje pode representar a remissão, redenção definitiva do Neymar como jogador de futebol. Quem me acompanha sabe, tenho vergonha do comportamento do ex-santista fora de campo. Passa longe qualquer ideia, para ele, do que seja cidadania, de sua importância na formação de valores dos jovens que sonham com o futebol ou que simplesmente torcem e o têm como ídolo. Contudo, não posso deixar de reconhecer a relevância do jogador do PSG para o futebol de nosso país em seus próximos passos.

E confesso, acreditem, achei que na ida do Ney para o PSG, suas confusões, o papelão com os espanhóis, depois a briga com o torcedor se juntando a tudo que aconteceu na triste Copa do Mundo, imaginei que ele seguiria, a passos largos, o destino de Ronaldinho Gaúcho, com a carreira absurdamente encurtada antes mesmo de completar 30 anos. O craque revelado no Grêmio não tivesse se “deixado inchar” (sou um crítico feroz em enchimento muscular dos atletas) e evitado as noitadas, shows, exageros sexuais e pagodes, não tenho dúvida, ainda teria sido fator diferencial pelo menos na Copa de 2014. Temi por Neymar no mesmo destino.

Para a nossa sorte, Tite, seleção, PSG e Cia, o garoto Neymar Júnior, hoje mais responsável, apesar de repetir besteróis nas redes sociais, em campo, tem dado mostras de amadurecimento, responsabilidade, compromisso, o resto, vocês sabem, é show. Uma recuperação assombrosa, para mim, repito, inesperada. Pela cabeça que tem, pelo pai que tem, staff e companheiros, até achei que seria impossível uma reviravolta. Aos poucos ele foi construindo, ou reconstruindo-se e calando críticos, recuperando a confiança da torcida. Ganhou esse ano o Campeonato Francês, a Copa da França e a Copa da Liga da França. Em todas foi fundamental suas atuações, assim como tem sido na Champions em todas as fases, fazendo, levando a equipe à finalíssima que pouca gente acreditava no início.

Não tenho nenhuma dúvida de que esse pode ser o ano do brilho maior de Neymar na Europa. Vindo o título neste domingo, não tem como não ter quase a certeza de que ganhará sua primeira Bola de Ouro, pois nem mesmo tem na concorrência, creio, os astros Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi, ambos de pouco brilho no ano da triste pandemia. Não podemos descartar, não o faço,  Lewandovski e nem a importância da conquista. Pode muito bem o Bayern que, jogo por jogo é favorito, vencer e os eleitores escolherem o centroavante polonês, afinal o mundo da bola enxerga muito mais de estatísticas do que a essência do futebol, o talento. Se fosse assim, e por mim, Neymar já seria, antes de qualquer resultado, o craque da temporada. Ninguém fez mais que ele.

Mas estamos falando do jogador que é centro de controvérsia e que, certamente, por ser brasileiro, não se enganem, marrento, abusado, intelectualmente pobre e insano sofre sim uma certa discriminação. Até mesmo no Brasil você vê correntes de torcidas contras, pessoas que acham o Neymar mal finalizador, só para citar um exemplo. Mal finalizador que marcou, segundo sites especializados 138 gols no Santos, 114 vezes pelo Barcelona e mais 70 no PSG, além de 61 gols na seleção principal do Brasil e mais 18 nas seleções de base, incluindo a Olímpica, onde ganhou medalha de Prata em Londres e Ouro no Rio de Janeiro. Parece piada esse tipo de opinião.

Bom, vamos para a campo. Que a até então equipe média do PSG, elevada por  Neymar e Mbappé à condição de gigante da Europa ( e o dinheiro do sheik também) possa dobrar a força do conjunto do Bayern de Munique que leva um ligeiro favoritismo, mas mostrou em vários lances contra o Lyon que pode sim ser batida. É uma equipe mortal.

 

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Edmo Sinedino
Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos

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