OPINIÃO

A inflação não é democrática

Nessa terça-feira (11), o IBGE divulgou a variação anual do IPCA – 2021 (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) que é usado para medir a inflação: 10,06%. É a maior variação dos últimos seis anos e quase o dobro do teto previsto. Esse é mais um retrato do projeto da dupla bozo-Guedes. Cantado em verso e prosa como o Posto Ipiranga fiador do bolsonarismo, o dublê de especulador financeiro em paraíso fiscal e ministro, Guedes nada mais é do que o condutor do desastre econômico que atinge a maioria da população brasileira.

Engana-se quem pensa que o índice geral da inflação é democrático. Ela atinge de forma desigual e brutal os diversos setores da economia.

Por ser um índice geral, ele é resultado da média entre vários itens específicos. E média é aquela coisa: se você estiver com os pés em uma fogueira à temperatura de 300 graus e na cabeça tiver uma bolsa de água fria de 10 graus, haverá quem diga que a temperatura média no umbigo é de 155 graus.

Os setores com renda mais baixa são mais duramente atingidos do que os com renda superior. Isso porque a maior parte das despesas da população de baixa renda é formada por itens que sofrem maior variação inflacionária.

A média da inflação nacional foi de 10.06% mas os itens que compõem esse índice variaram de forma desigual. 79% dessa variação foi decorrente do aumento dos preços de itens como combustíveis, habitação e alimentos, justamente os que impactam diretamente a população de baixa renda.

Os combustíveis (dolarizados pelo bozo-guedes) tiveram as maiores variações: gasolina, 47,49%; , etanol, 62,23. O botijão de gás de cozinha variou 36,99, jogando grande parte da população de volta à idade da lenha.

A variação desses itens específicos, mais os relacionados à habitação (21,21%) e alimentos (café, 50,24%; açúcar, 42,82%) impactam sobremaneira a grande maioria da população brasileira que depende do salário mínimo, que terá aumento abaixo da inflação (10.02%).

Enquanto trabalhadores, trabalhadoras e a grande maioria das micro, pequenas e médias empresas sofrem os efeitos perversos da inflação, a elite financeira se beneficia do aumento das taxas de juros e dispõe de mecanismos para proteger seu patrimônio, lucrando com o processo inflacionário. A inflação brasileira é fruto da combinação de fatores externos com uma política monetária errática, que desencadeou excessiva desvalorização do real frente ao dólar. O resultado é a taxa de inflação de dois dígitos, acima da meta do Banco Central. Cadê a estabilidade dos preços prometidas pelos arautos da tão decantada autonomia do BC aprovada pelo Congresso Nacional? O que vemos é a população pagando a conta e o setor financeiro auferindo lucros sem fim.

E como se sabe, o aumento da inflação tem efeito dominó, corroendo o poder de compra da população em geral, levando ao empobrecimento de cada vez maiores parcelas da sociedade.

Como se vê, o bolsonarismo não é só uma excrescência do ponto de vista da pauta moral.

Ele é também mortífero do ponto de vista do projeto econômico de uma nação.

Mais do que nunca é necessário cerrar fileiras pela derrota política desse governo e dos setores que o apoiam.

*Fernando Mineiro é professor, ex-vereador de Natal, ex-deputado estadual e deputado federal eleito em 2018, diplomado pelo TRE, mas até hoje não empossado em razão de uma liminar no TSE. Hoje, Mineiro ocupa o cargo de secretário extraordinário de Gestão de Projetos e Metas do Governo do Rio Grande do Norte.

*Texto publicado originalmente no Blog do Mineiro

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