OPINIÃO

A intervenção na UFERSA e a luta contra o Bolsonarismo

Por Daniel Valença

“Minha vontade é encher tua boca com uma porrada”, disse Bolsonaro a um repórter ao ser questionado sobre os inúmeros depósitos na conta de Michelle Bolsonaro e atribuídos à rachadinha do clã familiar.

Este fato, ocorrido neste último domingo, uma verdadeira ameaça criminosa à democracia e liberdade de imprensa, apesar inserido num agir político recorrente e que tem sido cada vez mais naturalizado e banalizado no país, nos mostra que não vivemos tempos normais. E quando não estamos em tempos normais, as respostas também não podem ser as habituais, como se nada tivesse ocorrido de 2016 para cá, especialmente de 2018 para cá.

É a partir desse ponto de partida que devemos analisar a intervenção na UFERSA.

A discussão sobre a legalidade ou não da intervenção é secundária, o que importa são suas consequências: assim como na intervenção ilegal do IFRN, tomará posse quem não foi escolhido/a pela comunidade acadêmica e que terá por missão ser um cargo de confiança de Bolsonaro, levando a comunidade acadêmica a aceitar passivamente aos mais de 1 bilhão que o governo pretende cortar dos IFs e das Universidades Federais e os demais ataques que a educação vem sofrendo.

Ou alguém acha que a Interventora convocaria uma assembleia geral para expor as consequências dos cortes na educação, como o fez a última gestão em 2019, com a participação de mais de trezentas pessoas da comunidade acadêmica e com transmissão ao vivo?

Portanto, se fosse em outro governo, após treze anos de governos petistas em que se respeitou a escolha da comunidade acadêmica, necessariamente haveria resistência à intervenção. Mas, considerando que não estamos em tempos normais, então a resistência tampouco pode ser como seria em outros momentos históricos.

Assim, a reação expressada pelo movimento estudantil é a única possível para enfrentarmos a atual conjuntura: de nada adianta aceitar passivamente o que o legal nos impõe se, do lado de lá, a prática política se fundamenta justamente no ilegal, na violência, na tessitura de um Estado fascista, que tenta controlar a educação, a cultura, as forças coercitivas e age na ilegalidade – como no caso do dossiê de policiais e professores antifascistas.

Não será uma ação política de baixa intensidade que reverterá este quadro de avanço do fascismo no país. Os setores democráticos e progressistas tem de se preparar para uma luta política que mais se assemelha a uma maratona que a cem metros rasos, e isto implica em oposição firme a cada avanço do Bolsonarismo.

Enquanto estiver na reitoria, Ludimilla será sempre interventora. Sua nomeação decorre unicamente do projeto de poder do bolsonarismo. Portanto, não há outro caminho senão a oposição firme à totalidade deste projeto.

E, quanto ao papel e o lugar de cada um/a, a história lhes reservará o devido lugar.

Fora Ludimilla, Fora Josué. Fora Bolsonaro, Fora Mourão.

* Daniel Valença é professor da graduação e mestrado em direito da UFERSA, Vice-Presidente do PT/RN

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