OPINIÃO

A misoginia de Bolsonaro, sim, ele odeia mulheres

Bolsonaro não concorda que meninas em idade escolar e mulheres em situação de vulnerabilidade social possam receber absorventes de forma gratuita, custeados pelo SUS. No dia 07 de outubro de 2021 o (des)Presidente vetou  parte da Lei de autoria da Deputada Marília Arraes (PT-PE), que institui o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual.

A dignidade menstrual é uma pauta que deveria ser encarada como urgente para o desenvolvimento humano, pois ela é tão essencial quanto o direito de ir e vir, à saúde e a justiça em seu sentido mais profundo. 

Não é aceitável que 1 a cada 4 meninas deixem de frequentar a escola quando estão menstruadas, por não terem acesso a absorventes. Não é justo que mulheres pobres exponham a própria saúde ao precisar usar jornal ou miolo de pão para absorver o sangue do útero que escorre todos os meses, seguidamente por cerca de uma semana.

Na vida das meninas de várias gerações este tema sempre foi um tabu, por diversos motivos, entre eles, a misoginia – que é uma aversão a tudo aquilo que diz respeito à existência das mulheres. É atribuída uma ideia equivocada de impureza do corpo das mulheres, a sociedade patriarcal tenta nos silenciar e impedir a nossa liberdade de viver com plenitude.

O predomínio de homens nos espaços de poder, a ascensão de um ser abjeto e inescrupuloso como Bolsonaro à Presidência da República é um retrato desse ódio às mulheres: hoje ele colocou no papel toda a sua misoginia ao afirmar que a distribuição gratuita de absorventes a mulheres em situação de pobreza menstrual atenta contra o interesse público.

Toda a sociedade se revoltou contra este ato de desprezo à dignidade humana. O homem que infelizmente ocupa o mais alto cargo político do país, não tem nenhum compromisso com as políticas sociais, com a dignidade humana, ele odeia mulheres.

Porém, não há dúvidas que a pauta da precariedade menstrual entrou na agenda pública e a cobrança social para que sejam apresentadas soluções a este problema não para por aqui, os Deputados e Senadores terão a oportunidade de derrubar o veto de Bolsonaro para vermos finalmente concretizada uma política pública que é ao mesmo tempo de saúde menstrual e de desenvolvimento social e humano.

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Aline Juliete
Aline Juliete de Abreu é advogada, Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Urbanos e Regionais (UFRN), feminista negra e ativista pelos direitos humanos

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