OPINIÃO

A pandemia, a histeria, a torcida e a insanidade

O coronavírus, invisível, silencioso e letal, aparece assim como se fosse do nada por aqui, se revelando o verdadeiro inimigo do povo, ainda que alguns lunáticos, e entre eles, o presidente da República, insistam em minimizar a sua ação destruidora de um sistema de saúde capenga e deficitário como tem revelado o mundo, inclusive as maiores potencias econômicas do planeta.

A crise instalada revelou mais uma vez a face extrema e histérica de um político eleito na onda de descontentamento da população com os desmandos e achaques aos cofres públicos, feitos por outros tantos políticos inescrupulosos que, desde a origem da república se locupletam da coisa pública como se fossem seus quintais, numa cultura danosa ao país e que os brasileiros definitivamente cansaram de assistir, mas que, infelizmente, e ainda longe de se desvencilharem da esperança de que um salvador da pátria surgirá por trás dos montes, das dunas e das montanhas dessa terra continental, assim como reza a lenda do sebastianismo, aquele rei de Portugal que se intitulava “capitão de Deus”, e se perdeu numa guerra que ele mesmo inventou, deixando os súditos literalmente a ver navios esperando por ele.

Num momento crucial para o país e para sua população, a incapacidade de governar com sobriedade, ouvir a sua equipe técnica e colocar a razão acima de qualquer deleite emocional se revela a mais danosa arma contra aquele que deveria, como o verdadeiro capitão faz, segurar o leme e colocar o navio em rotas de tranquilidade, ainda que num período de tempo e espaço, o mar bravio o testa a todo momento.

A retórica beligerante, eivada de acusações típicas de quem usa o ataque como instrumento de defesa, chegando ao ponto de afirmar que governadores e prefeitos que seguem o roteiro definido pelas autoridades médicas e a Organização Mundial da Saúde, fazem politicagem quando o próprio é só quem fala de política e politicagem, numa clara ação de tumultuar e com isso, inflamar a sua militância – as pesquisas já apontavam uma queda da popularidade também nas redes sociais – transformou o Brasil que vive das redes sociais num território de devastação a quem pensa diferente, e estimulando essencialmente a ação de inescrupulosos que enxergam o saldo do seus caixas como a coisa mais importante. Até mesmo do que lutar pela vida, quando a vida preservada é a essência da garantia do trabalho, da renda, do lucro, da economia.

No jogo sujo da torcida organizada, vale mais a propagação da retórica extremista e do alarmismo, jogando na vala comum todos os que, assim como a maioria dos países que vivem a mesma situação, contestam e lutam para o reequilíbrio o mais rápido possível do nosso Brasil continental. E para isso, as armas utilizadas são as mais vis, cruéis e desrespeitosas que a política nefasta, condenada por todos, e que infelizmente, passam a valer quando é para justificar os tresloucados argumentos do capitão que cada vez mais se revela isolado em seu próprio ego e tocando uma nau que parece já não ter mais a unanimidade em seu próprio entorno.

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